Dá para confiar nas pesquisas das eleições norte-americanas?

Faltando menos de uma semana para as eleições presidenciais dos EUA, o democrata Barack Obama mantém uma boa vantagem sobre seu rival republicano, John McCain, nas pesquisas de intenção de voto, o que levou muitos especialistas a considerarem McCain como uma carta fora do baralho. Mas as pesquisas podem estar erradas? Os números já se enganaram. O caso mais famoso ocorreu em 1948, quando as pesquisas mostraram o republicano Thomas Dewey a caminho de conquistar a Casa Branca. O candidato não percebeu a recuperação de última hora realizada pelo democrata Harry Truman e acabou sendo derrotado. Mais recentemente, os números apontavam Obama à frente de Hillary Clinton, rival no mesmo partido, nas prévias de janeiro em New Hampshire, com uma média de 8 pontos percentuais. Hillary saiu da disputa vitoriosa. O comitê de campanha de McCain acha que algo do tipo pode ocorrer no pleito de 4 de novembro. "Todos os sinais nos dizem que estamos nos encaminhando para uma eleição que seria apertada demais para prever o resultado", escreveu em um memorando divulgado na terça-feira Bill McInturff, especialista em pesquisas do campo republicano. Os encarregados pelas pesquisas tomam o cuidado de dizer que seu trabalho não prevê o resultado da disputa, mas que apenas captura uma imagem do eleitorado em um certo momento. E sempre há a possibilidade de haver erros em uma disciplina que combina ciência e um certo montante de adivinhação. "Até determinado ponto, realizamos um trabalho de ilustração e pressuposição", afirmou John Zogby, o responsável pela pesquisa Reuters/C-SPAN/Zogby. Segundo a versão mais recente dessa enquete, Obama encontra-se 7 pontos à frente de McCain. Os especialistas em pesquisa não se limitam a simplesmente somar o resultado das entrevistas feitas por telefone, mas precisam fazer pressuposições substanciadas a respeito de quem de fato irá às urnas votar. Esses modelos de "prováveis eleitores" variam de pesquisa para pesquisa, levando a resultados que também podem ser diferentes. A enquete diária da Rasmussen Reports divulgada na quinta-feira mostrou Obama à frente de McCain com 3 pontos de distância. Já uma pesquisa divulgada na terça-feira pelo Centro Pew de Pesquisa para as Pessoas e a Imprensa conferiu ao democrata 15 pontos de vantagem. O instituto Gallup publica duas pesquisas diferentes baseadas em modelos díspares sobre os "prováveis eleitores". O modelo tradicional mostrou, na quarta-feira, Obama à frente com 2 pontos percentuais de vantagem. Já o modelo "ampliado", que pressupõe um maior comparecimento às urnas, entre as minorias e os jovens, conferiu ao democrata uma dianteira de 7 pontos. As pesquisas do Zogby e do Pew também pressupõem que os eleitores negros, empolgados com a possibilidade de eleger o primeiro presidente negro dos EUA, comparecerão às urnas em maior número nesta eleição. No entanto, os aliados de McCain argumentam que o comparecimento será maior em todos os grupos demográficos, diluindo qualquer impacto dos eleitores negros.

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