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Democrata diz ter sido enganada por Bush e CIA sobre tortura

Pressionada por republicanos, Nancy Pelosi nega acusações de que seria cúmplice de maus-tratos a prisioneiros

Agência Estado e Associated Press,

14 de maio de 2009 | 19h29

Sob ataque da oposição republicana, a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, acusou nesta quinta-feira, 14, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, por suas iniciais em inglês) e o governo George W. Bush de a terem enganado com relação a métodos brutais de interrogatório utilizados nos últimos anos e rejeitou enfaticamente as acusações de que seria cúmplice dos maus-tratos a prisioneiros.

 

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"Nos disseram especificamente que a simulação de afogamento não estava sendo feita", assegurou ela a repórteres em Washington, referindo-se a uma explicação da CIA recebida por ela durante uma reunião no segundo semestre de 2002. Pelosi, do Partido Democrata, disse que depois ficou sabendo que outros congressistas receberam uma informação diferente após alguns meses. "Eu não fui informada. Fui informada de que outras pessoas haviam sido informadas sobre isso", afirmou.

 

Pelosi fez os comentários durante uma entrevista coletiva na qual foi questionada quanto ao que sabia sobre o uso de um método brutal de interrogatório, o qual ela mesma qualifica como tortura. Nas últimas semanas, líderes republicanos insistiam em que Pelosi e outros altos políticos democratas sabiam do uso do método de simulação de afogamento, mas não protocolaram nenhuma espécie de protesto.

 

Pouco depois do pronunciamento de Pelosi, um porta-voz da CIA não confirmou nem contestou a acusação. Ele limitou-se a dizer que "enganar o Congresso não é uma prática da CIA". O líder republicano na Câmara, John Boehner, rejeitou as afirmações de Pelosi e alegou estar "claro que eles (os democratas) estavam bastante cientes de quais métodos de interrogatório estavam sendo aplicados."

 

Apesar dos comentários de Boehner, os registros da CIA confirmam que Pelosi participou de apenas um encontro sobre o assunto com a cúpula do serviço de espionagem internacional dos EUA - justamente a reunião na qual ela afirma ter sido informada que a simulação de afogamento não vinha sendo usada. Um documento da CIA sobre a reunião não deixa claro o que foi dito durante o encontro.

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