Democratas criticam Bush e prometem mudar rumo da guerra

Oposição aponta discurso sem argumentos convincentes e dizem que retirada não põe fim ao conflito no Iraque

13 de setembro de 2007 | 23h17

A oposição democrata mostrou todo seu descontentamento com a política do presidente dos EUA, George W. Bush, para o Iraque, logo após o chefe de Estado anunciar nesta quinta-feira, 13, a retirada de 30 mil soldados do país.  Veja TambémBush reduz tropas, mas diz que EUA não abandonam o IraqueLeia o discurso na íntegra (em inglês)Especial: a ocupação do IraqueBush elogia xeque assassinado em Anbar O senador Jack Reed, ex-militar, avaliou em pronunciamento oficial que "mais uma vez, o presidente não apresentou um plano capaz de por fim à guerra com êxito e nem argumentos convincentes para continuá-la". O senador afirma que os democratas se esforçarão para "mudar profundamente nossa (dos EUA) participação militar no Iraque". Na seqüencia, pré-candidatos democratas e republicano conversaram com o apresentador da CNN Larry King. O ex-prefeito de Nova York e republicano Rudy Giuliani defendeu o discurso, afirmando que a missão dos EUA no Iraque é garantir a democracia. Ele argumentou que quando a população vive com medo, a democracia é algo apenas teórico. Logo após, o senador e pré-candidato democrata John Edwards, opinou que a política de Bush no país está errada. "Se eu fosse presidente agora, ordenaria uma retirada imediata das tropas", afirmou Edwards. Quanto ao discurso, Edwards disse que foi insólito e é sempre repetitivo. "Eles sempre falam em medo, ligam o conflito no Iraque ao 11/9 (...) essas coisas não tem conexão". Após o senador, o republicano John McCain se pronunciou, e assim como Giuliani, defendeu o discurso de Bush.Política confusa A também pré-candidata democrata e senadora Hillary Clinton disse ao site da CNN que "o que o presidente disse aos americanos esta noite é que, daqui a um ano, ainda haverá o mesmo numero de tropas no Iraque do que a um ano atrás". "Isso é simplesmente muito pequeno, muito tarde e inaceitável para este Congresso e a população americana deixou evidente seu forte anseio em trazer nossos bravos soldados pra casa", disse a senadora. Mais cedo, a porta-voz da Câmara dos Representantes (deputados), a democrata Nancy Pelosi afirmou que "a população americana há muito tempo perdeu sua fé na liderança do presidente na guerra do Iraque porque sua retórica nunca condiz com a realidade". "A escolha é entre um plano democrata para o retorno responsável (das tropas) e o plano do presidente por uma guerra sem fim no Iraque." O discurso de Bush apresentou, segundo críticos, certas contradições. O presidente afirmou que "a província de Anbar é um bom exemplo de como nossa estratégia está funcionando". De acordo com os dados, Anbar é a segunda província mais letal para os americanos neste ano. Bush também mencionou as 36 nações que contribuem com os EUA no Iraque, "ajudando a democracia". O fato é que as tropas americanas são maioria esmagadora. Por exemplo, a Albânia possui 120 soldados no país e a Bulgária possui 150 pessoas, não-combatentes, no Iraque - países visitados por Bush neste ano, como forma de agradecimento. Os EUA possuem 168.000 soldados no Iraque.

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