Democratas evitam falar em 'aquecimento global' para carvoeiros

Tanto HillaryClinton quanto Barack Obama estão falando menos em aquecimentoglobal e preferindo termos como "carvão limpo" ao discursarpara eleitores da Virgínia Ocidental e do Kentucky -- doisEstados que estão no coração da economia carvoeira dos EUA. A Virgínia Ocidental realiza sua eleição primária naterça-feira. O Kentucky vota no dia 20. Os dois candidatos deram ênfase às técnicas, até agora semviabilidade econômica, que geram eletricidade a partir docarvão mineral sem jogar enormes quantidades de gases do efeitoestufa na atmosfera. "Precisamos de alguns grandes investimentos agora paraentender como capturar e armazenar o dióxido de carbono docarvão", disse Hillary em comício na segunda-feira nalocalidade rural de Clear Fork, Virgínia Ocidental. No caminho até lá, ela passou por pelo menos quatro grandesminas de carvão escavadas nos montes Apalaches. Já o adversário dela está distribuindo no vizinho Kentuckyfolhetos em que diz que "Barack Obama acredita no carvão doKentucky". As usinas a carvão mineral geram cerca de metade daeletricidade consumida nos EUA, e representam cerca de 40 porcento das emissões norte-americanas de gases do efeito estufa.É o setor industrial que mais contribui com a poluição. Hillary tem um plano para que até 2050 as indústrias dosEUA reduzam suas emissões de carbono para níveis 80 por centoinferiores aos de 1990. Mas não cita isso nas suas numerosasaparições dos últimos dias na Virgínia Ocidental e no Kentucky,Estados onde o setor emprega 39 mil pessoas. Mas os EUA têm carvão para 250 anos, e provavelmente essacontinuará sendo sua principal fonte energética nas próximasdécadas. "Eu sei a importância do carvão para a Virgínia Ocidental.O carvão não vai embora num futuro visível", disse ela nasemana passada no capitólio estadual, em Charleston. O apoio dos candidatos ao "carvão limpo" indica uma tensãoentre suas propostas ambientais e a necessidade de agradar aEstados carvoeiros politicamente importantes, como Pensilvâniae Illinois. "Não existe carvão limpo. Não deveríamos apostar no carvãopara nos livrar desta", disse Brent Blackwelder, presidente daONG ambiental Friends of the Earth. "Precisamos pensar é em noslivrar das usinas a carvão." Hillary e Obama ainda disputam os eleitores de cincoEstados norte-americanos, dos quais três têm no carvão umelemento econômico importante: Virgínia Ocidental, Kentucky eMontana. O setor carvoeiro diz que as usinas querem reduzir suasemissões de carvão, mas não podem simplesmente fechar as atuaisinstalações, pois isso faria o preço da eletricidade disparar.

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