Democratas pedem que Gonzales seja investigado por perjúrio

Senadores querem apurar contradições em declarações do secretário sobre programa de espionagem

Associated Press,

26 Julho 2007 | 18h52

Quatro senadores democratas americanos pediram formalmente nesta quinta-feira, 26, que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos aponte um promotor especial para investigar se o secretário de Justiça, Alberto Gonzales, mentiu para o Congresso em seu depoimento sobre um programa de espionagem de terroristas.  Em outro duro golpe contra o já fragilizado secretário, o também senador democrata Patrick Leahy, presidente da Comissão de Justiça do Senado, intimou o conselheiro da Casa Branca Karl Rove e um de seus assistentes para testemunhar nas investigações sobre a demissão de oito procuradores americanos que teriam sido expulsos do Departamento de Justiça por razões políticas.  O pedido para que Gonzales seja investigado por perjúrio complica ainda mais a situação do secretário, que tem sido criticado tanto por democratas quanto por republicanos. Isso porque o amigo pessoal do presidente George W. Bush encontra-se desde o início do ano no centro de uma controvérsia sobre a demissão dos oito procuradores.  Contradições Agora, os democratas querem apurar se houve contradições entre dois depoimentos dados pelo secretário sob juramento ao Congresso, um no ano passado e outro esta semana. A questão gira em torno da suposta existência de discordâncias dentro da administração quanto a legalidade do programa de grampos sem autorização judicial do governo Bush. Na carta em que pedem a abertura da investigação, os quatro senadores democratas argumentam que as declarações de Gonzales no ano passado de que não houve dissidência dentro do governo quanto à aplicação do programa de espionagem são contraditórias com um depoimento do ex-vice secretário de Justiça James Comey e outro dado pelo próprio secretário à Comissão de Justiça nesta terça-feira, 26. Além disso, os democratas afirmam que Gonzales mentiu para a comissão quando disse não ter falado sobre as demissões com outros funcionários do Departamento de Justiça. Em depoimento à Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes, a ex-funcionária do departamento Monica Goodling disse ter tido uma "conversa pouco confortável com Gonzales na qual ele deu sua versão sobre o que aconteceu (no caso das demissões)".  Karl Rove O pedido do senador Leahy para que Rove e um de seus assessores testemunhem provavelmente não terá efeito, dado que a Casa Branca tem usado um privilégio executivo para impedir que o Congresso receba documentos ou colha testemunhos de assessores do presidente. Em resposta à convocação, o porta-voz da Casa Branca Tony Fratto classificou o episódio como fruto de uma disputa meramente política. "Todo os dias os democratas provam estar mais interessados em manchetes do que em fazer o trabalho que os americanos querem que eles façam", disse Fratto.

Mais conteúdo sobre:
Alberto GonzalesEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.