Democratas querem revisão da política americana para o Irã

Dados da inteligência dos EUA dizem que Teerã está 'menos determinada' a obter armamento nuclear

Agências internacionais,

04 de dezembro de 2007 | 07h50

O Partido Democrata americano pedirá uma revisão das políticas adotadas pela administração Bush contra o Irã. A decisão surge após a divulgação de um relatório do Serviço de Inteligência afirmando que Teerã suspendeu em 2003 o seu programa de armas nucleares, mas continua desenvolvendo capacidade técnica que poderia levar à produção de bombas atômicas.   Os Estados Unidos acusam os iranianos de desenvolver seu programa nuclear com o objetivo de criar armas do tipo, mas o país asiático sempre negou isso - argumentando que só busca a tecnologia para fins pacíficos. A nova Estimativa de Inteligência Nacional do governo Bush disse ainda que o Irã provavelmente será capaz de produzir urânio enriquecido em quantidade suficiente para armas "em algum momento durante o período de 2010-2015"   Segundo a BBC, o líder democrata no Senado dos Estados Unidos, Harry Reid, afirmou que espera que a Casa Branca possa se responsabilizar por um "esforço diplomático" junto ao Irã. "Espero que esta administração leia o relatório cuidadosamente e faça os ajustes apropriados na retórica e a política adotadas face-a-face com o Irã."   Segundo a Reuters, o Irã afirmou nesta terça-feira, 4, que o relatório americano é bem vindo e que está ficando claro que os planos nucleares do país são pacíficos. Questionado sobre o documento, o ministro de Relações Exteriores Manouchehr Mottaki afirmou que "é natural que recebemos bem, já que estes países no passado questionaram e apresentaram incertezas sobre o caso"   O relatório poderá dificultar os esforços dos EUA para convencer outras potências a concordar com mais sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Irã. As sanções seriam pela recusa do país em interromper atividades de enriquecimento de urânio.   Relatório   O resumo do relatório, que se baseia em dados coletados por 16 agências de inteligência americanas, indica com "muita confiança" que o Irã paralisou seu programa para desenvolver armamentos atômicos em 2003 "em resposta à pressão internacional". Nisso, o relatório representa uma reviravolta em relação a outros documentos do tipo, nos quais agências de inteligência americanas alertaram que o Irã estava buscando criar armas nucleares.   O país teria feito "progresso significativo" neste ano na instalação de centrífugas para enriquecer urânio - um processo necessário para produzir o material físsil que é usado numa bomba atômica.O texto também diz, com "confiança moderada", que o Irã "ainda enfrenta problemas técnicos significativos" na operação do equipamento.   O conselheiro nacional de segurança americano, Stephen Hadley, disse que as conclusões do relatório confirmam que os Estados Unidos estão certos em ficar preocupados com o Irã e que o presidente George W. Bush tem "a estratégia correta".   O Irã atualmente resiste às ordens da ONU para suspender seu programa de enriquecimento de urânio, e por isso o país está sujeito a uma terceira rodada de sanções internacionais.   Reação de Israel   O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, afirmou nesta terça-feira que o Irã provavelmente retomou seu programa de armas nucleares, contradizendo um relatório da inteligência dos Estados Unidos, segundo o qual o programa teria sido congelado em 2003.   "Parece que o Irã suspendeu em 2003, por um certo período de tempo, seu programa militar nuclear, mas, pelo que sabemos, o país provavelmente retomou-o", disse Barak à Rádio do Exército. Segundo Barak, tais documentos são "feitos em um clima de alta incerteza".   Israel já disse que uma arma nuclear iraniana poderia representar um risco à existência do Estado judaico - país que se acredita ser o único a possuir um arsenal nuclear no Oriente Médio.

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