Democratas recebem ameaças após aprovação da reforma da saúde

Gabinetes e carros foram depredados; FBI investiga episódios 'com seriedade', segundo 'NYT'

estadão.com.br

25 de março de 2010 | 10h17

WASHINGTON - Legisladores democratas que apoiaram a reforma do sistema de saúde dos EUA receberam ameaças de morte e foram vítimas de vandalismo por terem votado a favor do projeto, disseram congressistas e autoridades de segurança na quarta-feira, 25, segundo informações do jornal americano New York Times.

 

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O deputado Steny Hoyer disse que pelo menos dez membros da Casa dos Representantes mostraram-se preocupados com sua segurança pessoal depois da votação do domingo, quando a reforma foi aprovada no Congresso americano.

 

Ao menos dois gabinetes distritais foram depredados e a deputada Louise Slaughter, democrata de Nova York, recebeu uma mensagem pelo celular ameaçando ela e sua família. A deputada também disse que um tijolo foi atirado na janela de seu gabinete em Niagara Falls. Outra democrata, Gabrielle Giffords, do Arizona, disse que na segunda-feira seu carro sofreu ataques de vândalos.

 

A agência Associated Press constatou que as autoridades em Virginia estavam investigando um vazamento de gás propano na churrasqueira da casa do irmão do deputado Tom Perrielo. O endereço foi erroneamente publicado na internet como possível local para uma reunião política. Já o representante Bart Stupak, de Michigan, disse ter sido ameaçado em ligações telefônicas.

 

Os deputados democratas se reuniram com a Polícia do Capitólio, o Congresso americano, e com o FBI para tomar precauções e medidas de segurança e pediram que os republicanos ajudem a condenar as ameaças. O Congresso entra em recesso de 15 dias para a Páscoa.

 

"O que queremos é ter certeza que essas pessoas saibam que tais ameaças não têm lugar em nosso país", disse a líder democrata da Câmara, Nancy Pelosi. "Aprovamos uma lei histórica e sabemos que há diferenças em relação a ela. Nossa constituição nos permite fazer debates quanto a essas discordâncias, mas isso não inclui violência", completou.

 

O líder republicano John Boehner desencorajou as ameaças, mas pediu que a população busque outros meios de protestar contra a reforma. "Sei que muitos americanos estão descontentes com essa nova lei e os democratas não estão ouvindo. Mas como eu disse, violência e ameaças são inaceitáveis. Essa não é a maneira americana. Temos que pegar essa raiva e canalizá-la em uma mudança positiva", disse.

 

Os republicanos também notaram que seus deputados receberam ameaças anteriormente e que o senador Jim Bunning foi recentemente alvo de abusos quando proibiu benefícios do seguro-desemprego.

 

Ainda assim, a ausência republicana na manifestação contra tais ameaças pode minar os esforços dos opositores em seus ataques contra a lei. Os democratas também podem ganhar fôlego a mais na discussão uma vez que podem ser vistos como vítimas de ações que transpassam os limites da civilidade.

 

O porta-voz do FBI, Paul Bresson, disse que a entidade está a par das ameaças contra os congressistas e está investigando os episódios junto com a Polícia do Capitólio, responsável pela segurança da Casa. Ele se recusou a dar detalhes de quantos casos de ameaças ocorreram. "Estamos investigando e levando tudo isso muito a sério", disse.

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