Depoimento de Petraeus deve acirrar presidenciais no EUA

Comandante das forças no Iraque prestará depoimento sobre situação das tropas na semana que vem

STEVE HOLLAND, REUTERS

06 de setembro de 2007 | 12h53

O depoimento que o general DavidPetraeus, comandante das forças norte-americanas no Iraque,prestará deve oferecer munição aos oposicionistas democratas eaos republicanos governistas para a futura campanhapresidencial nos Estados Unidos. Na próxima semana, Petraeus falará a uma comissão doCongresso norte-americano. Entre os assuntos a serem abordadosestá a ordem dada pelo presidente dos EUA, George W. Bush, paraque mais soldados fossem enviados ao Iraque. Os democratas já demonstraram que destacarão o fato de ospolíticos iraquianos estarem se desentendendo como sinal de quechegou o momento de se afastar da guerra.Já os republicanos podem descrever os progressos militares emalgumas áreas do Iraque como motivo para acreditar que apolítica de Bush de aumentar o contingente militar tem tidoimpacto positivo, que ela precisa de mais tempo para funcionare que alguns soldados podem regressar no começo de 2008. Tudo isso promete acabar no colo dos eleitoresnorte-americanos, cansados da incessante sequência de imagensde morte e destruição vindas do Iraque, prontos para realizaruma mudança em relação ao país e ansiosos para ouvir doscandidatos à Presidência soluções para a questão iraquiana. Aeleição acontece em novembro do próximo ano. Petraeus dará seu testemunho sobre a situação do Iraque nasegunda-feira, depois de ter conversado reservadamente comBush. Prevê-se que o general apresente um quadro nem muitootimista nem muito pessimista. Petraeus deve dizer que ossoldados iraquianos e norte-americanos conseguiram conter aviolência em Bagdá e na Província de Anbar, mas que o governodo Iraque não conseguiu atingir algumas metas consideradasfundamentais para pacificar o país. O testemunho deve oferecer aos pré-candidatos à Presidênciaatualmente presentes no Senado uma oportunidade para aparecer. P. J. Crowley, um especialista do grupo Centro para oProgresso Americano, afirmou que será interessante ver se ossenadores vão concentrar suas perguntas sobre como está oIraque hoje ou sobre como estará o país em 2009, quando tomaposse o próximo presidente norte-americano. "Eles farão as perguntas agora. Mas é provável que um delesherdará essa situação daqui a 16 meses", disse. Whit Ayres, um especialista republicano em pesquisas deopinião, afirmou duvidar que o testemunho de Petraeus mude acabeça dos norte-americanos porque levaria meses até quenotícias boas sobre o Iraque surtissem efeito na opiniãopública. "As pessoas tiveram vários anos para se decidirem sobre oIraque e possuem opiniões arraigadas a respeito do país. Serápreciso muita coisa para fazê-las mudar de idéia", disse. Um prenúncio do testemunho de Petraeus apareceu em umaanálise realizada pelo Departamento de Prestação de Contas doGoverno dos EUA (GAO na sigla em inglês), um órgãoindependente. Segundo o relatório divulgado pelo GAO nesta semana, oIraque atingiu apenas nove das 18 metas políticas e militaresfixadas pelo Congresso norte-americano em maio passado.

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