Depoimento de Petraeus pode ter dado respiro a Bush

O relato de progressos no Iraquefeito pelo general David Petraeus ao Congresso dos EUA pode terdado ao presidente George W. Bush mais tempo para continuar aguerra, já que contrariou as esperanças democratas de adotar umcronograma para a retirada. Embora a maior parte da opinião pública defenda adesocupação do Iraque, não há sinais de uma rebelião em massados republicanos contra a guerra, o que poderia dar à oposiçãodemocrata os votos suficientes para forçar o fim da guerra. "Basicamente, o que aconteceu é que o governo fez apenas osuficiente para estancar a hemorragia no apoio do ladorepublicano", disse Thomas Mann, especialista em políticaparlamentar na Brookings Institution. Em depoimento na segunda e terça-feira, Petraeus disse aoCongresso que o envio de 30 mil soldados adicionais, neste ano,resultou em melhorias na segurança do Iraque, e que mantida aatual situação esse contingente extra pode ser retirado atémeados de 2008. Mas o governo Bush continua sob pressão. Na segunda-feira,a entidade liberal MoveOn.org provocou polêmica ao publicar umanúncio de página inteira no jornal The New York Times chamandoo comandante das forças dos EUA no Iraque de "General Nos Trai"("Betray Us", em inglês, trocadilho com o nome Petraeus).Mann qualificou o anúncio de "contraproducente", pois teriaforçado os democratas a tratarem Petraeus de forma mais gentildurante a audiência. Os republicanos acusaram a MoveOn.org de ir longe demais emsuas críticas, e tentaram vincular a entidade ao líderdemocrata do Senado, Harry Reid, e à presidente da Câmara,Nancy Pelosi. Scott Reed, estrategista republicano, disse que o anúnciofoi "ruim, pessoal e não-americano". "Um grupo de interessesagora estabelece os termos do debate para a presidente Pelosi eo líder Reid", afirmou. Bush, que na terça-feira conversou com líderesparlamentares na Casa Branca, deve dar aval às recomendações dePetraeus em discurso sobre o Iraque nesta semana. Com a recomendação de Petraeus, abre-se a perspectiva deque a eleição presidencial dos EUA seja disputada com 130 milsoldados no Iraque, que ainda estariam lá quando o novopresidente tomar posse na Casa Branca. O senador republicano Gordon Smith, que desde o ano passadofaz críticas à guerra, disse que a opinião de Petraeus serálevada em conta. "Acho que ele reforçou o apoio na conferência republicana,e não acho que haja uma data firme [para a desocupação] quevenha a ser aprovada neste lugar [o Congresso]", afirmou. Líderes democratas discutem se devem defender, num debatena semana que vem, um cronograma imediato para a guerra ou se opartido demonstra mais flexibilidade ao estabelecer uma meta,mas sem uma data concreta, para a transição no Iraque. "Nosso objetivo agora é destacar o fato de que ele propôsuma estratégia de ''manter a rota'', que vai incluir manter 130mil soldados no Iraque num futuro previsível", disse umassessor parlamentar democrata. "Eles podem achar que conseguiram uma vitória de curtoprazo, mas a questão é a qual custo." (Reportagem adicional de Richard Cowan)

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