Deputada baleada nos EUA apresenta melhora clínica

A deputada norte-americana Gabrielle Giffords, baleada na cabeça no sábado, no Arizona, respira sem a ajuda de aparelhos na terça-feira, e os médicos se disseram otimistas quanto à recuperação dela.

BRAD POOLE, REUTERS

11 de janeiro de 2011 | 17h44

A democrata, de 40 anos, foi baleada durante um evento ao ar livre com eleitores, num ataque que matou seis pessoas e deixou 14 feridos. O autor dos disparos, Jared Lee Loughner, de 22 anos, está detido, e o caso abriu um debate sobre o impacto da retórica política inflamada nas campanhas eleitorais norte-americanas.

Os médicos do hospital onde ela permanece em estado crítico, em Tucson, dizem que a parlamentar está reagindo a comandos simples e respira sozinha, apesar de a bala ter atravessado o cérebro.

"Estamos otimistas", disse Michael Lemole, chefe de neurocirurgia do Centro Médico Universitário. A recuperação, segundo ele, será um processo gradual, "semana a semana, mês a mês."

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve ir na quarta-feira ao Arizona para uma cerimônia em homenagem aos mortos, entre os quais havia um juiz federal, uma menina de nove anos e um dos jovens assessores de Giffords.

Uma pesquisa da CBS News divulgada na terça-feira mostrou que a maioria dos norte-americanos -- 57 por cento -- rejeita a tese de que a retórica acalorada dos políticos teria influenciado o ataque. Outros 32 por cento acreditam nessa correlação. Entre os republicanos, chega a 69 por cento os que rejeitam essa ideia.

Mesmo assim, parlamentares de ambos os partidos se manifestaram pela necessidade de maior civilidade no debate político, e na quarta-feira os parlamentares se unirão numa cerimônia religiosa bipartidária.

Depois do ataque, muitos parlamentares decidiram rever seus hábitos e seus esquemas de segurança. A pauta do Congresso foi praticamente paralisada nesta semana, o que incluiu o adiamento de uma votação que poderia reverter a reforma da saúde promovida pelo governo Obama, a qual teve apoio de Giffords e de outros democratas na legislatura passada.

O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, disse que o incidente no Arizona mostra a gravidade das ameaças contra autoridades no país.

"Mas não acredito que essas ameaças sejam tão fortes quanto as forças que trabalham pela tolerância e a paz", afirmou.

(Reportagem adicional de Thomas Ferraro, Jerry Norton, Tim Gaynor e Peter Henderson)

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