Deputada dos EUA luta pela vida após ser baleada na cabeça

A congressista norte-americana Gabrielle Giffords manteve a luta pela vida neste domingo, após ter sido atingida por um tiro na cabeça disparado por um criminoso que matou outras seis pessoas durante encontro da deputada democrata com eleitores em Tucson, no Estado do Arizona.

TIM GAYNOR, REUTERS

09 de janeiro de 2011 | 10h27

Giffords, de 40 anos, está em estado grave, e os médicos seguem cautelosamente otimistas quanto às chances de sobrevivência dela. O suspeito de ter atirado na parlamentar está sob custódia federal, mas os investigadores ainda buscam um motivo para o raro fato de um parlamentar ter sido baleado e procuram por um possível cúmplice do crime.

O suspeito, identificado como Jared Lee Loughner, de 22 anos, abriu fogo com uma pistola semiautomática do lado de fora de um supermercado na tarde de sábado. Ele foi contido por dois transeuntes após cometer o crime.

Entre os mortos estão um juiz federal e uma menina de nove anos de idade. Outras doze pessoas ficaram feridas na correria após o início do tiroteio.

O fato chocou Washington, onde congressistas adiaram uma votação sobre a polêmica reforma do sistema de saúde. Após uma eleição parlamentar sem qualquer violência no ano passado, há quem acredite que o ato criminoso contra Giffords teve motivação política.

O delegado do Condado de Pima, Clarence Dupnik, afirmou que o suspeito "tem um passado um pouco problemático e nós não estamos convencidos de que agiu sozinho". Ele afirmou acreditar que a própria Giffords era o alvo do tiroteio.

Dupnik disse que o suspeito fez ameaças de morte no passado, mas não contra Giffords. "Tudo o que posso dizer é que essa pessoa pode ter problemas mentais", acrescentou.

A polícia de Pima informou no começo deste domingo que as autoridades ainda buscam um segundo homem "possivelmente cúmplice do suspeito", que foi filmado por uma câmera de segurança próximo à cena do tiroteio.

O presidente dos EUA, Barack Obama, colocou o diretor do FBI, Robert Mueller, a cargo da investigação.

"Ainda não sabemos o que provocou esse ato inexprimível", disse Obama.

Giffords foi atingida uma vez na cabeça e a bala "saiu pelo outro lado", de acordo com um cirurgião do hospital de Tucson, para onde ela foi levada para procedimentos médicos.

"O que eu posso dizer a vocês agora é que estou muito otimista quanto à recuperação dela", afirmou o médico Peter Rhee, diretor médico da unidade de trauma e terapia intensiva do hospital.

"Não podemos dizer que tipo de recuperação, mas estou tão otimista quanto se pode estar nesse tipo de situação", acrescentou.

Giffords era a anfitriã de um evento chamado "O Congresso na Sua Esquina" -- encontros públicos para dar aos seus eleitores uma chance de falar diretamente com ela. Foi nesse momento que o criminoso a atacou, a uma distância de cerca de 1,2 metro, de acordo com relatos da imprensa norte-americana.

O suspeito se aproximou de Giffords por trás, disparando pelo menos 20 tiros nela e em outras pessoas na multidão, afirmou a MSNBC, citando autoridades e testemunhas.

A polícia do Congresso dos EUA pediu para que os congressistas "tomem precauções sensatas e prudentes em sua segurança pessoal". Mesmo assim, a maioria deles ainda está desprotegida do lado de fora do Capitólio, com exceção dos líderes da Câmara dos Deputados e no Senado.

YOUTUBE

Inúmeras pessoas realizaram uma vigília com velas acesas do lado de fora do hospital de Tucson, pedindo pela vida de Giffords e das outras vítimas.

A parlamentar já tinha alertado anteriormente que o momento político conturbado fez com que ela tivesse recebido ameaças contra sua vida e de vandalismo em seu gabinete.

Em vários vídeos postados no YouTube, uma pessoa que comenta sob o nome de Jared Lee Loughner critica o governo, a religião e pede uma nova moeda. Não se sabe se essa pessoa é o suspeito do crime.

"O governo está fazendo controle da mente e lavagem cerebral nas pessoas controlando a gramática. Não! Não vou pagar meus deveres com uma moeda que não é apoiada pelo ouro e pela prata. Não! Eu não confio em Deus!".

Em sua biografia no YouTube, o autor do post escreveu que estudou em escolas da região de Tucson e que seus livros favoritos eram "Minha Luta", de Adolf Hitler, "O Manifesto Comunista", de Karl Marx, e "Um Estranho no Ninho", de Ken Kesey.

(Reportagem adicional de Roberta Rampton, Andy Sullivan, Anthony Boadle, Roberta Rampton e Jim Vicini em Washington, David Schwartz em Phoenix e Dan Whitcomb em Los Angeles)

Tudo o que sabemos sobre:
EUATIROTEIOPARLAMENTARDS1*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.