Detidos por espionagem nos EUA se declaram culpados e serão deportados

Confissão é parte de acordo de troca de prisioneiros estabelecido com o governo russo

estadão.com.br

08 de julho de 2010 | 17h40

NOVA YORK - Todos os dez detidos nos EUA acusados de espionar para a Rússia enquanto viviam em território americano se declararam culpados em uma audiência em um tribunal de Nova York nesta quinta-feira, 8. Após a confissão, o juiz responsável pelo caso anunciou que todos serão deportados.

 

A confissão dos dez suspeitos é parte de um suposto acordo firmado entre os governo da Rússia e dos EUA para trocar prisioneiros espiões, já que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmou que a Rússia concordou em soltar quatro prisioneiros detidos por terem contato com agências de inteligência ocidentais, configurando a maior troca de espiões entre os dois países desde a Guerra Fria.

 

Em uma carta ao juiz responsável pelo caso, promotores do Departamento de Justiça afirmaram que três dos presos na Rússia foram condenados por traição e estavam cumprindo longas sentenças de prisão.

 

Alguns deles, que não foram identificados, estão em más condições de saúde, de acordo com os promotores. O governo russo concordou em libertá-los junto com suas famílias.

 

De acordo com os promotores, alguns dos prisioneiros trabalhavam para o Exército russo ou agências de inteligência, e três deles foram acusados de contatarem agências de espionagem ocidentais.

 

Os agentes russos foram presos pelas autoridades americanas no fim de junho e trabalhavam para o serviço secreto de Moscou sem o consentimento de Washington, o que caracteriza sua presença no território americano como crime.

 

O juiz de Nova York que julga os dez suspeitos anunciou a deportação de todos após a confissão e ordenou que eles "nunca mais devem tentar voltar aos EUA".

 

Na quarta-feira, surgiram especulações de que os governos estariam fazendo um acordo para trocar alguns dos detidos nos EUA por um americano condenado por espionagem na Rússia. Fontes próximas das negociações que não quiseram se identificar adiantaram à agência Associated Press que Moscou libertaria quatro prisioneiros, o que foi confirmado posteriormente por Washington.

 

Os detidos são a jornalista peruana Vicky Peláez; seu marido, conhecido como Juan Lázaro; Cynthia e Richard Murphy, também casados; a russa Anna Chapman; Mikhail Kutsik (conhecido como Michael Zottoli); Natalia Pereverzeva (conhecida como Patricia Mills); e mais duas pessoas sob a identidade de Tracey Lee Ann Foley e Donald Howard Heathfield.

 

Cada um deles se declarou culpado do crime de conspiração por operar como agente estrangeiro nos EUA sem informar as autoridades do país, enquanto oito deles aceitaram sua culpa no crime de lavagem de dinheiro.

 

Além disso, há um 11º detido, Chris Metsos, de 54 nos,  que utilizava un passaporte canadense e está foragido após ter sido detido no Chipre e colocado em liberdade após pagamento de fiança.

 

Após anos de atritos, Estados Unidos e Rússia vivem um momento de reaproximação, e não desejam que o incidente, reminiscente de casos da Guerra Fria, provoque um novo afastamento.


 

(Com informações das agências Reuters, Associated Press e Efe)

 

Atualizado às 18h38

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