Diferenças com Rússia não impedirão acordo nuclear, diz Hillary

Secretária de Estado reúne-se com ministro do Exterior russo em Washington; Geórgia continua dividindo países

Agências internacionais,

07 de maio de 2009 | 18h16

Lavrov, Obama e Hillary falam à imprensa após reunião. Foto: Reuters

 

WASHINGTON - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, asseguraram nesta quinta-feira, 7, que as diferenças de seus países sobre a Geórgia não impedirão negociações para um novo acordo nuclear. Eles se reuniram em Washington pela primeira vez desde que decidiram, em março, "apertar o reset" na relação entre as duas nações, que sofreram tensões nos últimos anos.

 

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"É um pensamento velho dizer que temos desavenças. Queremos normalizar o relacionamento e levá-lo a um novo nível", disse Hillary ao lado de Lavrov, após reuniões, nas quais foi abordado "como podem, mediante esforços conjuntos, estabelecer um exemplo para melhorar a segurança das instalações nucleares e impedir a proliferação nuclear no mundo."

 

Os presidentes Barack Obama, dos Estados Unidos, e Dmitri Medvedev, da Rússia, concordaram, em 1.º de abril, concluir antes do fim do ano um novo tratado para redução de seus arsenais nucleares que substitua o Start, firmado em 1991 e que termina em dezembro. Os negociadores dos dois países, continuou Hillary, já começaram a conversar.

 

Após a reunião de Hillary e Lavrov, Obama afirmou que EUA e Rússia devem aproveitar a "excelente oportunidade" para superar diferenças. Segundo Lavrov, "Rússia e EUA, como as potências nucleares mais importantes, podem tomar o timão da questão" do desarmamento nuclear. A redução dos arsenais é "muito importante" para todo o mundo, acrescentou.

 

Apesar dos avanços na diplomacia, ambos países indicaram que ao menos parte das desavenças em relação à Geórgia continuam. Tropas russas permanecem no local desde um duro combate, ocorrido em agosto passado. Aliado de Washington, o governo de Tbilisi acusou Moscou recentemente de incitar um levante armado pouco antes de manobras militares criticadas pela Rússia.

 

"Falamos sobre a situação no Cáucaso. É certo que mantemos diferenças óbvias e não as escondemos, mas estamos de acordo sobre uma coisa: temos que fazer o que pudermos para conseguir a estabilidade ali", disse Lavrov após o encontro com Hillary, que destacou que "desacordos em uma área" não querem dizer que não haverá colaboração "em outros assuntos de importância crucial."

 

Ambos conversaram também sobre a cooperação para conseguir o fim dos programas nucleares no Irã e na Coreia do Norte, ressaltaram. Obama, que viajará para Moscou em julho para uma cúpula com Medvedev, também recebeu Lavrov na Casa Branca, em um gesto que o líder americano normalmente só reserva a chefes de Estado e de governo.

 

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