Dilma pede a Obama fim de barreiras contra produtos brasileiros

A presidente Dilma Rousseff aproveitou a visita do seu colega norte-americano, Barack Obama, ao Brasil para apontar sem rodeios contradições nas relações entre os dois países, especialmente entraves comerciais impostos a produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

REUTERS

19 de março de 2011 | 14h06

"Senhor presidente, se queremos construir uma relação de maior profundidade, é preciso também, com a mesma franqueza, tratar de nossas contradições", disse Dilma ao lado de Obama, sem seu pronunciamento após reunião dos dois no Palácio do Planalto.

Em um cenário no qual o governo brasileiro luta para impedir uma apreciação ainda maior do real, Dilma mostrou preocupação com os "efeitos agudos decorrentes dos desequilíbrios econômicos gerados pela crise recente".

"Compreendemos o contexto do esforço empreendido pelo seu governo para a retomada da economia americana, algo tão importante para o mundo", disse Dilma.

"Porém, todos sabem que medidas de grande vulto provocam mudanças importantes nas relações entre as moedas de todo mundo. Este processo desgasta as boas práticas econômicas e empurra países para ações protecionistas e defensivas de toda natureza."

E foi direta ao mencionar produtos brasileiros que enfrentam barreiras para entrar no mercado norte-americano.

"Para nós é fundamental que sejam rompidas as barreiras que se erguem contra nossos produtos, etanol, carne bovina, algodão, suco de laranja, aço, por exemplo."

Dilma reafirmou também a posição do Brasil por uma reforma nos organismos multilaterais, em especial o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, no qual o governo brasileiro reivindica uma vaga como membro permanente.

"Temos propugnado por uma reforma fundamental no desenho da governança global, a ampliação do Conselho de Segurança da ONU", lembrou.

"Aqui, senhor presidente, não nos move o interesse menor da ocupação de espaços burocráticos de representação. O que nos mobiliza, é a certeza de que um mundo mais multilateral produzirá benefícios para a paz e a harmonia entre os povos."

Para Dilma, não se deve esperar mais tempo por essas reformas, dizendo que as reformas nas instituições financeiras só deixaram de ser bloqueadas após a crise econômica global.

"No caso da reforma da ONU, temos a oportunidade de nos antecipar", argumentou.

Dizendo ver "com muito otimismo" o futuro das relações com os Estados Unidos, Dilma disse que há oportunidades para que os dois países cooperem no desenvolvimento dos campos de petróleo brasileiro.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro e Matt Spetalnick)

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