Discurso afasta eleitores de Hillary Clinton

Os eleitores nãoestão dando as costas para Hillary Clinton por ela ser mulher,e sim por preferirem a mensagem otimista de Barack Obama,segundo especialistas em questões de gênero e liderança. Na opinião deles, o senador de 46 anos, casado e pai deduas meninas, faz Hillary, uma veterana política de 60 anos,parecer antiquada aos olhos de alguns eleitores. A ex-primeira-dama ficou em terceiro lugar no "caucus"democrata de Iowa, na semana passada, e chega às eleiçõesprimárias de New Hampshire, na quarta-feira, sem a liderançaque manteve durante meses nas pesquisas do Estado. Se conseguir a indicação democrata e vencer a eleição denovembro, Hillary será a primeira mulher a governar os EstadosUnidos --depois de 43 homens na Casa Branca. Mas isso não vaiacontecer se nas primárias os eleitores preferirem as promessasde mudança e esperança, encarnadas por Obama, à experiência deHillary. "Nenhum dos grupos de pesquisas qualitativas indicam que aspessoas estão [deixando de apoiar Hillary] porque ela é mulher,mas por causa de um déficit em como ela está projetando aliderança", disse Naomi Wolf, autora do best-seller "O Mito daBeleza" (1991), entre outros. "Na pior das hipóteses, ela é uma líder estabelecidademais, competente demais. Ela está no cenário mundial, e aspessoas estão cansadas de gente que está no cenário mundial",afirmou. Obama obteve uma grande fatia do eleitorado jovem em Iowa.Hillary, por outro lado, apareceu na noite do "caucus" ao ladode figuras políticas do passado, como seu marido, oex-presidente Bill Clinton, e a ex-secretária de EstadoMadeleine Albright. Tanto Hillary, que fez uma bem-sucedida carreira comoadvogada antes de virar primeira-dama, como Obama, que pode setornar o primeiro negro presidente dos EUA, minimizam oineditismo de suas candidaturas. Mas a surpresa neste começo da corrida eleitoral é que oseleitores de Iowa e New Hampshire parecem mais entusiasmadoscom a perspectiva de um presidente negro do que de umamandatária mulher. Na verdade, poucas mulheres vêem Hillary como uma"porta-estandarte" das causas femininas, já que, segundo Wolf,há mulheres de todas as posições políticas, e os políticoshomens já buscam ativamente os votos delas, tratando dequestões como a discriminação no local de trabalho e a saúdepública para crianças. Ela lembra que os dois últimos presidentes dos EUA --GeorgeW. Bush e Bill Clinton-- promoveram muitas políticas para aschamadas "soccer moms", que se dedicam exclusivamente a cuidardos filhos, tendo atividades como levá-los para jogar futebol(daí o nome). É um grupo que se preocupa especialmente comsaúde pública, educação e criminalidade. "O que importa é estar confortável e disputar a corrida naqual você acredita, porque não dá para agradar todo mundo,"disse Victoria Budson, diretora do Programa para Mulheres ePolíticas Públicas da Escola Kennedy. Num mundo ideal, acrescentou ela, Hillary seria julgada porseus méritos e não por seu gênero, mas dificilmente issoacontecerá.

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