Discurso de Bush deve incluir comércio e agricultura

A combalida economia norte-americanae a guerra do Iraque devem dominar o discurso do presidenteGeorge W. Bush ao Congresso dos EUA na noite de segunda-feira,mas o presidente também deve abordar a legislação agrícola eacordos comerciais pendentes, dois assuntos que interessamdiretamente aos produtores rurais do país. O discurso anual do Estado da União é habitualmente um meiopara transmitir recados sobre segurança e outros temas agovernos estrangeiros. Mas é também um veículo para opresidente tratar de questões mais específicas, que normalmentenão viram manchete, como a agricultura. "Isso significa levar crédito pela recém-aprovada ampliaçãoda energia renovável, criando uma expectativa pela políticaagrícola, e prometendo ação (a respeito de acordoscomerciais)", disse o analista Gary Blumenthal, da consultoriaWorld Perspectives. Bush e o Congresso vêm negociando a lei agrícola. Opresidente promete vetar uma versão que institua novos impostose negue subsídios agrícolas à parcela dos 2 por cento maisricos da população dos EUA. O analista Mark McMinimy, da Stanford Washington Research,disse que Bush deve usar a lei agrícola como um exemplo dasuposta irresponsabilidade fiscal dos democratas, que controlamo Congresso. O projeto em discussão prevê gastos de 286 bilhõesde dólares. "O tom e a linguagem que Bush usar será importante paradeterminar quão forte, ou fraca, é sua ameaça de veto, econsequentemente até que ponto podem ser esperadas mudanças",disse Blumenthal. Bush também deve usar o discurso para insistir nanecessidade de conclusão da Rodada de Doha da OrganizaçãoMundial do Comércio, paralisada após seis anos por divergênciasna área agrícola. Há rumores de que na época da Páscoa poderiaocorrer uma importante reunião internacional que levaria àsolução dos impasses desse processo. A expectativa de acordo é especialmente atraente para osagricultores dos EUA, interessados em ampliar suas exportaçõespara além dos 91 bilhões de dólares previstos para o ano fiscalde 2008. "Este é um presidente ligado demais às corporaçõesmultinacionais, e por isso cumprir o acordo de Doha seria tãoimportante", disse Ben Lilliston, porta-voz do Instituto para aAgricultura e a Política Comercial, de Minnesota. Mas o setor agrícola não está disposto a, em troca, abrirmão dos polpudos subsídios que recebe do governo. Dave Salmonsen, analista de questões comerciais daFederação Americana da Agricultura, espera que Bush use odiscurso para renovar a pressão sobre o Congresso pela rápidaaprovação dos acordos bilaterais de comércio com Coréia do Sul,Colômbia e Panamá.

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