Discurso de Obama foca Irã e Coreia, e omite Oriente Médio

O presidente dos EUA, Barack Obama, alardeou os progressos do seu país no Iraque e no Afeganistão, e declarou que continuará firme contra as ambições nucleares do Irã e da Coreia do Norte.

ANDREW QUINN, REUTERS

26 de janeiro de 2011 | 09h18

Obama usou o seu discurso anual do Estado da União, na noite de terça-feira (madrugada de quarta, pelo horário de Brasília), para listar êxitos da sua política externa, como o "relançamento" das relações com a Rússia, a crescente parceria com a Índia e os novos esforços contra a proliferação nuclear global.

Mas o paralisado processo de paz do Oriente Médio - que Obama relançou em setembro, mas foi rapidamente abandonado devido a divergências entre palestinos e israelenses - não foi mencionado. Funcionários da Casa Branca dizem, no entanto, que essa omissão não sinaliza um menor esforço dos EUA pela paz do Oriente Médio.

Obama disse que os Estados Unidos estão ao lado do povo da Tunísia, "onde a vontade do povo se provou mais poderosa do que as ordens de um ditador" - uma referência à rebelião popular deste mês, que levou à fuga do presidente Zine al Abidine Ben Ali.

Mas o presidente não fez nenhuma referência direta ao Egito, onde na terça-feira ocorreu uma rara manifestação contra o presidente Hosni Mubarak, tradicional aliado de Washington, no poder desde 1981. O protesto gerou comparações com a situação da Tunísia.

GUERRAS

Obama disse que as tropas dos EUA estão cumprindo os prazos previstos para que deixem o Iraque neste ano "de cabeça erguida", e reiterou sua intenção de começar a desocupar o Afeganistão em julho, apesar da intensa atividade da Al Qaeda naquele país.

"Haverá lutas duras pela frente, e o governo afegão precisará oferecer um melhor governo. Mas estamos fortalecendo a capacidade do povo afegão e construindo uma parceria duradoura com ele", afirmou Obama.

À Al Qaeda, a mensagem de Obama foi clara: "Não vamos nos apiedar, não vamos esmorecer, e vamos derrotá-los."

Obama disse também que os EUA estão comprometidos em afastar ameaças nucleares, e sinalizou que manterá a pressão sobre Irã e Coreia do Norte, apesar dos esforços para estabelecer um diálogo com ambos os países a respeito dos seus programas nucleares.

"Por causa de um esforço diplomático para insistir que o Irã cumpra suas obrigações, o governo iraniano agora enfrenta sanções mais firmes e rígidas do que jamais antes", disse Obama, menos de uma semana depois da mais uma rodada de discussões entre Teerã e potências mundiais, sem nenhum sinal de progresso.

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