Discurso sobre Iraque não é sinal de vitória, diz Obama

O presidente norte-americano, Barack Obama, declarou na terça-feira oficialmente encerrada a missão de combate dos Estados Unidos no Iraque, apesar da violência e do impasse político que persistem no país, sob ocupação há mais de sete anos.

CAREN BOHAN E SERENA CHAUDHRY, REUTERS

31 de agosto de 2010 | 18h47

Em um discurso de 15 minutos no Salão Oval, à noite, Obama sairá em defesa da sua decisão de encerrar a fase de combate e manter apenas 50 mil soldados em tarefas de apoio e treinamento no Iraque, e tentará demonstrar que, com isso, está cumprindo uma das suas principais promessas da campanha eleitoral de 2008.

Mas os norte-americanos também esperam a liderança de Obama em questões econômicas, e alguns analistas questionam seu foco na política externa nesta semana --Iraque e Oriente Médio-- num momento de temores com uma recaída recessiva.

Funcionários da Casa Branca deixaram claro que Obama deve falar sobre a economia dos Estados Unidos no contexto da retirada do Iraque.

"Ele sente que é muito importante redirecionar recursos que temos gasto no exterior nos últimos anos para investimentos na nossa economia e na nossa competitividade aqui em casa", disse Ben Rhodes, subassessor de segurança nacional da Casa Branca.

Para celebrar o fim da missão de combate no Iraque, Obama visitou na terça-feira o quartel Fort Bliss, no Texas, mas salientou que seu discurso no Salão Oval não deve ser visto como a "volta da vitória."

"Não será autocongratulatório. Ainda há muito trabalho que temos de fazer para assegurar que o Iraque seja um parceiro efetivo", afirmou Obama.

A Casa Branca está preocupada em evitar comparações com o discurso de 2003 do então presidente George W. Bush a bordo de um porta-aviões, quando, em frente a um cartaz com os dizeres "missão cumprida", ele anunciou que as grandes operações de combate haviam terminado.

A violência no Iraque posteriormente explodiu, e o evento passou a ser visto como um grande tropeço.

Obama, que foi contra a guerra do Iraque desde o início, conversou por telefone com Bush por alguns minutos, a bordo do avião presidencial, disse a Casa Branca sem entrar em detalhes.

Os republicanos gostariam que Obama desse crédito a Bush por ter enviado reforços ao Iraque em 2007, revertendo um cenário que, segundo muitos comandantes militares, prenunciava uma derrota para os Estados Unidos.

"Embora a maioria dos democratas ainda não tolere admitir, a guerra do Iraque está terminando com sucesso porque o reforço funcionou. Em 2007, o presidente George W. Bush finalmente adotou uma estratégia e um time no Iraque que poderia vencer", escreveu no Wall Street Journal o senador republicano John McCain, candidato derrotado por Obama na eleição presidencial de 2008.

Bush invadiu o Iraque sob a justificativa de encontrar armas de destruição em massa, o que nunca ocorreu. Uma pesquisa CBS News divulgada neste mês mostrou que 72 por cento acham que a guerra não valeu a pena, levando em conta o número de norte-americanos mortos.

(Reportagem adicional de Alister Bull e Deborah Zabarenko)

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