Disputa democrata ainda não chegou ao fim

Obama deve conseguir a maioria dos delegados, mas Hillary não vai desistir

'The New York Times'

20 de maio de 2008 | 17h47

O senador Barack Obama espera que a disputa com a senadora Hillary Clinton pela indicação democrata às eleições de novembro comece a terminar nesta terça, 20, depois das primárias no Kentucky e no Oregon. Mas ele quer que isso aconteça de uma forma sutil.  Obama vai discursar na noite desta terça em Iowa - um retorno simbólico ao Estado onde ele conseguiu sua primeira vitória - e deve reiterar que ele conseguiu o apoio da maioria dos delegados em disputa nas primárias democratas. Depois desta noite, só sobram três prévias democratas: em Porto Rico em 1º de junho e Montana e Dakota no dia 3. Veja também:Professor da USP analisa primárias democratasHomem mais rico do mundo dá como certa indicação de Obama Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA   Se a senadora Clinton quer continuar na disputa até o fim - e tudo indica que vai - ela provavelmente vai ter que mostrar uma vitória convincente no Kentucky. E se a pré-candidata ficar perto de derrotar Obama no Oregon, certamente vai jogar uma sombra sobre a campanha do senador, mesmo que isto não impeça que ele alcance a maioria dos delegados em disputa.  Ao que tudo indica, Hillary deve ganhar facilmente no Kentucky, um Estado que, assim como a Virgínia Ocidental e a Pensilvânia, parece estar demograficamente inclinado à sua vitória. Mais importante para Hillary será a composição eleitoral de sua vitória no Kentucky, já que ela insiste no argumento de que Obama será mais vulnerável na disputa contra o republicano John McCain. O partido Democrata vai prestar atenção na atuação de Obama entre eleitores brancos da classe trabalhadora, um grupo que costumeiramente apóia Hillary.  Obama parece estar se encaminhando para a vitória no Oregon, de acordo com as últimas pesquisas. Ele fez um comício em Portland na noite do último domingo que reuniu cerca de 75 mil pessoas, certamente o maior comício do ano. Mas um dos argumentos de seus adversários é que estes grandes eventos não necessariamente se transformam em vitórias.   Uma grande derrota de Hillary no Oregon certamente iria ofuscar sua vitória no Kentucky. Mas as urnas do Oregon só fecham à meia-noite (horário de Brasília) e o Estado não deve divulgar nenhum resultado até que todas as seções estejam fechadas. Uma coisa deve ser destacada: a maioria que deve ser conquistada por Obama vai ser um marco na campanha, mas ele, assim como Hillary, está longe de conseguir os 2.026 delegados necessários para ganhar a nomeação do partido Democrata. Nenhum deles também conseguirá avançar sem o apoio dos superdelegados. Se há um consenso nos dois lados, é que a disputa ainda não acabou.A única questão até agora é de como isto vai acabar. Assessores de Obama dizem que ele vai fazer de tudo para não dividir mais o partido, sem provocar Hillary no discurso, mesmo que ele se mostre uma grande força na disputa que se segue.

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