Disputa orçamentária nos EUA pode encurtar viagem de Obama

Os esforços do presidente Barack Obama na próxima semana para convencer os líderes da Ásia-Pacífico de seu compromisso com a região podem ser minados por distrações em Washington, onde as disputas sobre o orçamento podem chegar ao ápice enquanto ele estiver fora.

LAURA MACINNIS, REUTERS

07 de novembro de 2011 | 11h54

Obama embarca na sexta-feira em uma viagem de nove dias para o Estado norte-americano do Havaí, Austrália e Indonésia, que ele vai usar para enfatizar os laços econômicos entre EUA e Ásia e o papel de longa data dos Estados Unidos na segurança da região.

Sua ausência de Washington vai coincidir com um prazo para o Congresso evitar a paralisação do governo e um prolongamento das negociações para reduzir o déficit, que investidores e agências de rating estarão observando de perto.

Funcionários da Casa Branca disseram que Obama tem metas diplomáticas que ele espera fazer avançar na Cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, na qual será o anfitrião, em Honolulu, em 12 e 13 de novembro, e durante a sua visita a Canberra, Darwin e Bali.

Mas há especulações de que ele poderia enfrentar pressão para reduzir a curta viagem e correr de volta a Washington a tempo de resolver a questão do orçamento e evitar críticas de que fracassou em tomar uma atitude caso as negociações saiam dos trilhos.

Como ele está sediando a cúpula da Ásia-Pacífico, não há rumores de que reduzirá a etapa do Havaí da curta viagem. A Casa Branca planeja enfatizar a mensagem econômica de Obama em Honolulu, onde ele vai elogiar a estratégia de exportação e a recente aprovação pelo Congresso de um acordo de livre comércio com a Coréia do Sul.

Mas Michael Green, que aconselhou o predecessor de Obama, George W. Bush, sobre política asiática, disse que pode ser difícil justificar as paradas em Austrália e Indonésia em um momento tão crítico para as negociações do orçamento dos EUA e num momento em que a batalha para as eleições de 2012 ganha fôlego.

Em Bali, na Cúpula do Leste Asiático, em 18 e 19 de novembro, Obama se tornará o primeiro presidente norte-americano a participar da reunião de líderes da região economicamente dinâmica e estrategicamente importante. Sua visita à Austrália visa ressaltar os laços de segurança com um aliado incondicional e agradecer ao país por seu apoio no Afeganistão.

Enquanto Obama estiver no Havaí e, posteriormente, no exterior, o vice-presidente, Joe Biden, e outras autoridades vão se aproximar do Congresso já que os legisladores buscam um acordo para fornecer novos recursos ao governo, quando a medida mais recente de financiamento temporário expirar em 18 de novembro.

Autoridades da Casa Branca também devem se engajar em conversas nos bastidores em nome de Obama com o comitê de 12 congressistas encarregado de encontrar maneiras de economizar pelo menos 1,2 trilhão de dólares dos orçamentos na próxima década.

O presidente fez suas propostas ao "supercomitê" em setembro, mas depois não trabalhou diretamente com o grupo bipartidário, cujo relatório deve ser entregue em 23 de novembro, poucos dias depois de ele retornar da Ásia.

O comitê tem tido dificuldades de superar as diferenças entre republicanos e democratas. Se as negociações pararem ou fracassarem enquanto Obama estiver fora, o presidente pode enfrentar duros questionamentos sobre por que ele não fez mais para ajudar a chegar um acordo.

Dentro de um acordo fechado em agosto, depois de uma briga para aumentar o limite de endividamento dos EUA, o Congresso precisa aceitar as propostas do supercomitê até 23 de dezembro ou haverá cortes drásticos nos orçamentos dos militares, serviço social e outros.

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