'Donos' de embriões querem palavra final sobre pesquisas

Presidente dos EUA, Barack Obama, suspendeu as restrições contra as pesquisas com células-tronco

Andrea Hopkins , Reuters

10 de março de 2009 | 19h52

Quando Amy Birney teve de decidir o que fazer com os dois embriões que sobraram depois do seu tratamento de fertilização, tinha certeza de uma só coisa: que não cabia ao governo dos Estados Unidos ter influência sobre a assunto.     Veja também: Células-tronco colocam Obama em rota de colisão com o papa Vaticano condena liberação de pesquisas com células-tronco  Obama suspende restrições a estudo com células-tronco  Decisão sobre células-tronco será mundial, diz geneticista  Entenda o uso das células-troncoMas isso foi em 2007, e o então presidente George W. Bush havia imposto restrições ao uso de verbas federais para pesquisas com células-tronco embrionárias. Por mais que quisesse, Birney - pesquisadora com dez anos de experiência com vítimas de câncer - não poderia doar seus embriões para o desenvolvimento dos estudos com células-tronco. Então ela doou os embriões ao seu médico, que prometeu mantê-los até encontrar um estudo que precisasse de embriões, mas não usasse as células-tronco. Birney agora espera que os embriões, depois de anos congelados, possam ajudar alguém. "Eu escolho a pesquisa à destruição como meio de potencialmente ajudar outras pessoas", disse Birney, 44 anos, mãe solteira no Oregon. "Doar meus embriões para a pesquisa foi meu pequeno protesto silencioso contra aquela proibição (...). Agora que a proibição foi suspensa, talvez meus embriões se tornem uma nova linhagem celular." O presidente Barack Obama suspendeu na segunda-feira as restrições contra as pesquisas com células-tronco. Grupos conservadores criticaram a medida, porque entendem que a destruição dos embriões equivale a uma forma de aborto. Defensores da prática dizem que esses embriões resultantes dos tratamentos de fertilização seriam descartados de qualquer maneira. Células-tronco são uma espécie de "manual de instruções" do organismo, potencialmente capazes de se transformar em qualquer órgão ou tecido, o que abre a perspectiva da cura de muitas doenças. Os cientistas consideram as pesquisas com os embriões de poucos dias mais promissoras, embora também haja estudos com células-tronco de adultos. Em meio aos elogios da comunidade científica à medida de Obama, os pacientes das clínicas de fertilização dizem estar felizes simplesmente com o fato de não estarem mais limitados na sua escolha sobre o que fazer com os embriões não-utilizados. Cerca de 300 mil embriões congelados foram armazenados nos EUA em 2003, segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva. Esse número subiu para até 500 mil desde então, segundo algumas estimativas. Nos procedimentos de fertilização in vitro, óvulos e espermatozóides são fundidos em laboratório, e os melhores embriões resultantes são implantados na futura gestante, enquanto os demais são congelados.

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