Drama com criança refém chega ao sétimo dia nos Estados Unidos

Um menino de cinco anos permanecia refém nesta segunda-feira pelo sétimo dia num abrigo subterrâneo do Alabama, nos Estados Unidos, e as autoridades evitam divulgar qualquer detalhe sobre a negociação com o sequestrador, que já matou com um tiro o motorista do ônibus que levava o garoto.

Reuters

04 de fevereiro de 2013 | 17h20

A criança, que faz aniversário na quarta-feira, foi retirada do ônibus escolar e é mantida por Jimmy Lee Dykes, de 65 anos, no porão fortificado de sua casa, numa zona rural no sudeste do Alabama. Dykes, caminhoneiro aposentado, é veterano da Guerra do Vietnã.

"Mantemos uma linha aberta de comunicação com o senhor Dykes", disse Jason Pack, porta-voz do FBI. "Alguém está lá para conversar com ele sempre que ele quer conversar."

Dykes é apontado como o mesmo homem que na terça-feira da semana passada matou o motorista de ônibus Charles Albert Poland, de 66 anos, que tentava proteger as mais de 20 crianças que ele levava da escola para suas casas.

As autoridades identificaram o menino apenas como Ethan e disseram que ele sofre da síndrome de Asperger e do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade.

Não há indicação de que Ethan tenha sido fisicamente maltratado por Dykes, a quem as autoridades locais agradeceram por permitir que o menino recebesse medicação, livros para colorir e brinquedos.

O caso ocorre num momento de acalorado debate nos Estados Unidos sobre o controle das armas de fogo, especialmente em escolas, depois que um jovem fortemente armado matou 20 crianças e 6 adultos em dezembro numa escola primária de Connnecticut.

No domingo, os participantes do funeral de Poland o descreveram como um herói por proteger as crianças, que viram horrorizadas o momento em que ele foi baleado.

A maioria das escolas na área permanecia fechada nesta segunda-feira, mas as autoridades disseram que elas irão reabrir na terça-feira, inclusive a escola primária de Midland City, onde Ethan está matriculado na pré-escola.

Segundo vizinhos, Dykes era notoriamente recluso e se mudou há cerca de dois anos para a região de Midland City, onde morava em um trailer e costumava ser visto patrulhando seu terreno com uma lanterna e uma arma de fogo.

Ele deveria ser julgado na quarta-feira passada por uma acusação de fazer ameaças contra um vizinho.

As autoridades não quiseram comentar detalhes na negociação com Dykes, nem mesmo relatos da imprensa de que a comunicação estaria acontecendo por um tubo de PVC levado até o porão.

Em nota no domingo, o FBI disse que Dykes "continua a tornar o ambiente o mais confortável possível para a criança."

(Reportagem de Kaija Wilkinson, em Mobile; e de Tom Brown, em Miami)

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