Economistas preveem declínio dos EUA e ascensão da China

Segundo importantes economista, o cenário para a economia dos Estados Unidos não parece bom, nem neste ano, nem nos próximos 10 anos.

MARK FELSENTHAL, REUTERS

09 de janeiro de 2011 | 16h59

Os principais pensadores dessa visão pessimista para os EUA, falando em uma convenção anual, propuseram diferentes visões para o declínio econômico do país no curto, médio e longo prazos. Este ano, a recuperação pode se perder à medida que as iniciativas de estímulo do governo expiram.

No longo prazo, os Estados Unidos devem enfrentar o fato de inevitavelmente serem ultrapassados pela China como a maior economia do mundo. E Washington pode ter perdido a chance de controlar suas maiores instituições financeiras, muitos das quais continuam "grandes demais para falir" e são cada vez maiores.

Por um lado, Martin Feldstein, da Universidade de Harvard, disse acreditar que as perspectivas de crescimento econômico dos EUA em 2011 são menos positivas do que muitos acreditam.

Primeiro, o impulso para o crescimento de gastos do governo acabará neste ano, disse ele. A renovação de cortes de impostos nada mais é do que uma decisão para não aumentar os impostos e o impacto da redução de um ano nos pagamentos ao fisco pelos contribuintes provavelmente será modesto, afirmou.

"Realmente não há muita ajuda vinda da política fiscal no próximo ano", segundo Feldstein. Ele acrescentou que as preocupações com a terrível situação dos governos estaduais e municipais podem realmente ser um entrave ao crescimento.

O crescimento teve algum amparo por conta de uma menor taxa de poupança em 2010, mas que provavelmente não vai perdurar neste ano, conforme as famílias se mostram preocupadas com o retorno de um futuro incerto antes de voltarem a somar dívidas, Feldstein acrescentou.

A queda preocupante nos preços de moradias significa que há menos para poupar, disse.

"As pessoas estão preocupadas, então há uma forte razão para uma poupança por precaução."

CORRIDA EM CURSO

Por outro lado, há a corrida com a China e as economias dinâmicas da Ásia, incluindo Índia. A maioria das estimativas aponta para que a economia chinesa alcance o tamanho da norte-americana por volta da década de 2020, disse Dale Jorgenson, também de Harvard.

Jorgenson vê os mercados emergentes da Ásia como os mais dinâmicos do mundo, ofuscando outros candidatos, como Brasil e Rússia, que deverão registrar crescimento constante ao longo da próxima década.

"A ascensão da Ásia em desenvolvimento vai acompanhar o crescimento econômico mundial mais lento", afirmou.

Os Estados Unidos terão de lidar com o fato de que a sua prevalência no mundo está fadada a terminar, disse Jorgensen. Será difícil para muitos norte-americanos engolir isso, e os EUA devem se preparar para a agitação social em meio à culpa sobre quem foi o responsável por desperdiçar a primazia global, disse ele.

Simon Johnson, do MIT, esclarece tal visão, dizendo que os prejuízos da crise financeira e suas consequências golpearam os EUA permanentemente.

"A era do predomínio norte-americano acabou", disse Johnson a um painel. "O iuan (da China) será a moeda de reserva mundial dentro de duas décadas."

Johnson disse acreditar que os Estados Unidos não conseguiram aprender a lição com a crise financeira e continuam implicitamente amparando suas maiores instituições financeiras.

"Estou preocupado com o excessivo poder dos maiores bancos globais", disse ele. "Quem são as empresas patrocinadas pelo governo agora? São as seis maiores holdings bancárias."

Raghuram Rajan, economista e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), agora trabalhando na Escola de Negócios da Universidade de Chicago, ainda consegue vislumbrar um papel de liderança permanente dos EUA.

Segundo ele, nada segue em linha reta, e há muitas armadilhas no caminho até mesmo para dinâmicas economias asiáticas.

"Diria que a era do domínio norte-americano pode estar chegando ao fim. Mas a América continuará como maior força do mundo por um longo tempo."

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