Eleição nos EUA complica paz do Oriente Médio em 2008, diz Assad

O presidente sírio, Bashar Al Assad,considera irrealista prever a paz no Oriente Médio em 2008,porque os Estados Unidos estarão preocupados demais com aprópria eleição presidencial, em 4 de novembro. A Síria participou em novembro da conferência de paz emAnnapolis (EUA) em que palestinos e israelenses retomaramformalmente o processo de paz, com a meta de concluí-lo até ofinal do ano que vem. "É talvez tarde demais para falar em paz no último anodeste governo [de George W. Bush]. [Os EUA] estarão preocupadosdemais com as eleições", disse Assad em entrevista publicada naquarta-feira pelo jornal austríaco Die Presse. "Annapolis foi um evento de um dia só. Tudo vai dependerdos esforços de prosseguimento. Temos de ser otimistas, emboracautelosos", disse ele. A Síria disse que a reunião de Annapolis, da qualparticiparam também outros países árabes, reavivou sua intençãode recuperar as colinas do Golã, capturadas em 1967 por Israel.Não houve, entretanto, contatos diretos entre os dois inimigos. Assad disse que a Síria e Israel chegaram a trilhar 80 porcento do caminho da paz nas negociações de 2000 sobre adevolução do Golã, que acabaram sendo abandonadas. "Agora é necessário um árbitro -- os Estados Unidos, acimade tudo, naturalmente com apoio da UE e da ONU. Mas sem os EUAnada vai funcionar", disse ele. O presidente sírio afirmou que a política dos EUA naregião, tradicionalmente vista pelos EUA como tendenciosa emfavor de Israel, vem sofrendo alterações na forma, mas não nasubstância. Depois de capturar as colinas do Golã, Israel anexou aárea, sem reconhecimento da comunidade internacional. (Por Mark Heinrich)

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