Eleições e problemas de saúde pós-11/9 politizam cerimônia

Homenagens aos mortos contaram com presença de políticos e vítimas de doenças respiratórias

Agência Estado, Associated Press e Efe,

11 de setembro de 2007 | 13h20

A campanha presidencial e a saúde daqueles que trabalharam no local em que ficavam as torres gêmeas, chamado de "marco zero", foram destaques nesta terça-feira durante as solenidades para marcar o sexto aniversário dos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos.   Veja também: Doentes, heróis reclamam de abandono  ''EUA erram ao reduzir Al-Qaeda a Bin Laden'' Cerimônias e Bin Laden marcam 11/9 Novo vídeo de Bin Laden elogia suicida do 11/9 Galeria de fotos dos 6 anos do atentado Trecho do novo vídeo para download  Países europeus sofrem ameaça de atentado Os maiores ataques da Al-Qaeda desde 11/9   Sob nuvens de chuva carregadas, a cerimônia na parte baixa de Manhattan, com participação de parentes das vítimas e membros das equipes de resgate, teve início às 8h40 (horário local) com sons de tambores e gaitas de foles, enquanto uma bandeira americana resgatada do local era levada para o palco.   Bombeiros e aqueles que atenderam primeiro aos pedidos de socorro começaram a leitura anual dos nomes das 2.750 vítimas das torres, pouco depois do primeiro de quatro momentos de silêncio respeitados durante a cerimônia. Muitos dos socorristas estão agora com problemas respiratórios e câncer, contraídos, segundo eles, pela exposição à poeira tóxica emanada pelas torres desmoronadas.   Além disso, pela primeira vez, o nome das vítimas que sobreviveram ao dia dos ataques, mas que morreram até cinco meses depois em conseqüência de câncer de pulmão, foram acrescentados à lista oficial dos mortos no World Trade Center, Pentágono e num campo da Pensilvânia.   Segundo uma apuração do jornal local Village Voice, publicado esta semana, mais de 52 casos de doenças respiratórias e câncer de pulmão têm relação direta com a nuvem tóxica desencadeada após o desmoronamento dos prédios. Ainda segundo o jornal, 12 desses casos resultaram em morte.   Até o momento, 170 pessoas que participaram ativamente nos trabalhos de retirada dos escombros morreram. Não se sabe, no entanto, quais casos estão relacionadas com a exposição à fumaça.   Estudo   Ainda assim, a preocupação com o problema é grande. Em um estudo sobre os verdadeiros efeitos dos atentados para a saúde dos sobreviventes, as autoridades nova-iorquinas disponibilizaram um registro para as pessoas que participaram daquelas tarefas se inscreverem.   A partir dos dados de 8.418 sobreviventes inscritos no registro, descobriu-se - em abril - que entre os dois e três anos seguintes aos ataques a metade deles apresentaram problemas respiratórios.   Calcula-se que 410 mil pessoas estiveram em contato com a nuvem tóxica e entre elas um grande número de bombeiros, um grupo que se transformou em um dos mais afetados a longo prazo pelos atentados.   Políticos   O ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani também participou da cerimônia. A decisão, entretanto, incomodou alguns familiares das vítimas e bombeiros, que acusaram o político republicano de capitalizar o evento para sua pré-candidatura à Presidência dos EUA.   Ele foi pouco aplaudido após discursar. "Foi um dia sem respostas, mas com uma imensa fila de pessoas que vieram ajudar umas às outras", disse Giuliani, que em 2001 estava nas últimas semanas de seu mandato à frente da prefeitura.   Do lado democrata, quem deve aproveitar as cerimônias para contabilizar dividendos políticos é a senadora Hillary Rodham Clinton, que representa Nova York e também luta pela indicação de seu partido. Ela informou que pretende participar de algumas das cerimônias no local dos atentados.   Homenagens e ameaça   Horas antes do início das cerimônias, o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, o suposto arquiteto dos ataques, apareceu num vídeo exortando seus simpatizantes a unirem-se à "caravana" de mártires e enaltecendo um dos seqüestradores de 11 de Setembro.   Também houve um momento de silêncio na Casa Branca, liderado pelo presidente George W. Bush, uma cerimônia no Pentágono, alvo do terceiro ataque com avião, e uma homenagem aos 40 passageiros e tripulantes que morreram quando o Vôo 93 da United Airlines caiu na Pensilvânia. Acredita-se que esse avião seria jogada contra a Casa Branca.   Na principal base americana no Afeganistão, uma cerimônia também foi celebrada.   Em Nova York, o prefeito da cidade, Michael Bloomberg, presidiu os eventos. Ele descreveu o dia 11 de setembro de 2001 como "o dia que consome nossa história e nossos corações. Nos unimos novamente como nova-iorquinos e como americanos para compartilhar uma perda imensurável"

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