Eleitores dos EUA barram medidas contra sindicatos e aborto

Polêmicas iniciativas que proibiam o aborto no Estado do Mississippi e restringiam a organização sindical do funcionalismo público no Estado de Ohio foram sonoramente derrotadas pelos eleitores na terça-feira, num resultado que anima o Partido Democrata, do presidente Barack Obama.

MARY WISNIEWSKI, REUTERS

09 de novembro de 2011 | 09h56

Também na terça-feira, o democrata Steve Beshear foi reeleito governador do Kentucky, e o republicano Phil Bryant foi escolhido governador do Mississippi, onde ele era vice-governador. Dessa forma, os republicanos continuam governando 29 Estados dos EUA, contra 20 dos democratas (Rhode Island tem um governador independente).

Essas foram as últimas eleições locais nos EUA antes do início das eleições primárias do Partido Republicano, em janeiro.

"A manchete que vem à tona em 2011 foi de uma boa eleição para os democratas. Mas escave um pouco mais fundo e você verá que no meio da história estão os eleitores oscilantes (entre republicanos e democratas)", disse o analista John Avlon, da revista Newsweek e do site Daily Beast.

"Os republicanos estão sendo alertados por serem extremos demais e irem longe demais, mas os democratas não devem ler isso equivocadamente como uma vitória geral."

Sindicalistas e ativistas pró-aborto ficaram entusiasmados com os resultados nos referendos, matizados pela rejeição, também em Ohio, da obrigatoriedade da contratação de planos de saúde, prevista numa reforma sancionada por Obama.

Ohio é um Estado eleitoralmente estratégico, onde Obama venceu em 2008. Graças à mobilização sindical, a proposta republicana contra a organização do funcionalismo público foi derrotada por uma margem de quase 20 pontos percentuais.

Ohio tem 360 mil servidores públicos sindicalizados, e o quinto maior contingente de trabalhadores sindicalizados em todo o país, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho.

No caso do Mississippi, a proposta de emenda à Constituição estadual estabelecia que a vida humana começa na concepção, o que na prática levaria à proibição do aborto, de alguns métodos de controle de natalidade e de certos tratamentos de infertilidade que resultam na destruição de embriões.

Se a medida fosse aprovada, o Mississippi se tornaria o primeiro Estado norte-americano a definir um óvulo fecundado como uma pessoa. Grupos antiaborto querem tentar aprovar essa medida em outros Estados.

Com 80 por cento dos votos apurados, a emenda estava sendo rejeitada por 58-42 por cento.

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