Em 2009, apenas EUA devem permanecer no Iraque

Dos 49 países que apoiavam invasão, hoje apenas 7 mantém tropas; 'nada mais justifica presença', diz analista

Luiz Raatz e Gabriel Pinheiro, estadao.com.br

17 de dezembro de 2008 | 19h14

Antes de invadir o Iraque em 2003, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou que tinha o apoio de um grupo de 49 países para destronar Saddam Hussein do poder, a chamada "coalizão dos dispostos", em tradução livre do inglês. Pouco mais de cinco anos e meio depois, as tropas dos EUA podem ser as últimas a apagar a luz da ocupação. "Não há mais nada que justifique a presença no Iraque. Os americanos também devem sair, e mais rápido do que se imagina", avalia o cientista político Christian Lohbauer, do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional (Gacint) da Universidade de São Paulo (USP).   Veja também: Reino Unido anuncia retirada do Iraque em 2009 'Tomamos a decisão certa no Iraque', diz Dick Cheney   Arte/estadao.com.br   Atualmente, sete nações além dos EUA mantêm tropas no Iraque. São eles Austrália, Dinamarca, El Salvador, Estônia, Lituânia, Reino Unido e Romênia. Nesta quarta-feira, 17, o principal aliado americano, o premiê britânico, Gordon Brown, anunciou que deixará o Iraque em meados do ano que vem. O parlamento iraquiano já aprovou uma lei que permite apenas a presença de militares americanos no país.   Dos 49 países que apoiaram a guerra, apenas quatro cederam tropas para a invasão. Outros 33 forneceram contingente militar após a derrubada de Saddam. Seis sequer tinham exército. Espanha, Itália e Austrália anunciaram a retirada após derrotas eleitorais de aliados de Bush, em 2004, 2006 e em 2007, respectivamente. Na Ásia, os EUA recebeu o apoio militar de Japão e Coréia do Sul, cujas tropas também já encerraram suas missões.   Parte significativa dos aliados de Bush vem de países europeus e de ex-repúblicas soviéticas, como Ucrânia, Geórgia, Moldova, Estônia e Lituânia, interessados em uma possível entrada na Otan. Países pequenos contribuíram mais de maneira simbólica do que efetiva. O arquipélago de Tonga cedeu 50 fuzileiros navais para a ocupação. O Exército inteiro do país conta com 450 pessoas.   O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, já afirmou que pretende retirar as tropas americanas do país de uma maneira responsável em 16 meses, - o que Lohbauer diz que "certamente deve acontecer", apesar das críticas de alguns setores americanos, que sustentam que a tarefa é altamente arriscada e quase impossível. Atualmente cerca de 144 mil soldados americanos estão no país.   O governo Bush diz que o aumento do contingente militar em 2007 possibilitou uma diminuição da violência no país. Segundo analistas, o acordo entre tribos sunitas para isolar radicais ligados à rede Al-Qaeda, e a divisão de poder entre xiitas, curdos e sunitas também favoreceu a diminuição da violência sectária.   Em 2008, o número de baixas na coalizão caiu consideravelmente. Segundo levantamento da ONG independente iCasualties, que conta o número de mortes entre tropas ocidentais, 310 soldados morreram este ano. Em 2007, ano mais sangrento para os invasores, a insurgência matou 961 militares.   Entre civis, as mortes também caíram, segundo projeção da ONG Iraq Body Count. Em 2008 morreram 8509 iraquianos, o número mais baixo desde o começo da guerra. Em 2006, o ano mais violento, 27 mil pessoas morreram devido à violência. Até hoje, a guerra já matou entre 89 mil e 98 mil civis.

Tudo o que sabemos sobre:
IraqueEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.