Em campanha, Obama liga McCain à política impopular de Bush

Pré-candidato democrata inicia estratégia para enfrentar rival se for nomeado; tesoureiro republicano renuncia

Reuters e Associated Press,

19 de maio de 2008 | 10h18

O pré-candidato democrata Barack Obama lançou novos ataques contra o virtual candidato republicano, John McCain, e o vinculou às políticas econômicas impopulares do presidente americano George W. Bush, em uma estratégia para cortejar os eleitores insatisfeitos com a crise nos Estados Unidos.   Veja também: Huckabee quer ser vice na chapa de McCain McCain tenta distância de Bush sem renegá-lo  Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA     Obama está em campanha na véspera das prévias desta terça-feira, em Oregon e Kentucky, onde ele deve conseguir delegados suficientes para ficar a cerca de 100 representantes dos 2.025 necessários para a nomeação. O pré-candidato, considerando que sua indicação é inevitável, iniciou sua não-oficial campanha presidencial lançando ataques a McCain.   No domingo, Obama tentou diminuir o apoio de McCain entre os eleitores idosos. Ele afirmou que o candidato republicano poderia ameaçar os benefícios de aposentados porque dá suporte às políticas de privatização do Serviço Social de Bush. "Deixe-me ser claro, privatizar o Serviço social foi uma má idéia quando Bush a propôs, e é uma má idéia hoje", disse Obama. "Foi por isso que eu me coloquei contra o plano no Senado e porque eu não vou defendê-la como presidente."   Bush propôs um plano de Segurança Social em 2005 que baseava-se na criação de contas privadas para trabalhadores jovens, mas o projeto não chegou a ser votado no Congresso, já que democratas se opuseram firmemente e poucos republicanos abraçaram a idéia.   O porta-voz de McCain Tucker Bounds acusou Obama de fazer "ataques partidários mal informados". "John McCain sempre foi claro sobre as crenças de que nós precisamos consertar o seguro social para futuras gerações e manter as promessas feitas aos aposentados hoje, mas aumentar os impostos não seria uma resposta para todos os problemas", afirmou.   Uma pesquisa divulgada nesta segunda pela agência AFP, realizada pela Universidade de Suffolk, afirma que Obama tem uma pequena vantagem sobre Hillary em Oregon (45% contra 41%), onde existem 52 delegados na disputa, enquanto a senadora tem uma ampla diferença sobre o rival no Kentucky (51% contra 25%), onde 51 delegados estão em jogo. A campanha de Obama afirma que precisa de apenas mais 17 delegados para alcançar a maioria de 1.627 e proclamar-se vencedora da disputa interna democrata, sem contar os superdelegados, que têm liberdade para votar no candidato de sua preferência. Segundo o site independente RealClearPolitics, Obama soma 1.897 delegados e Hillary 1.717.   Ligação com lobistas   Um tesoureiro do comitê de John McCain abandonou a campanha republicana por ter tido ligação com atividades de lobby, confirmou uma fonte do comitê no domingo. O ex-deputado texano Thomas Loeffler, que era co-presidente nacional de finanças, é o quinto funcionário do comitê a deixar a campanha nas últimas semanas devido a ligações com lobistas, o que caracteriza um possível conflito de interesses.   Como candidato, McCain dá muita ênfase à ética e à transparência. Na semana passada, passou a exigir que os assessores ligados a lobistas se afastem deles ou da campanha. A revista Newsweek disse que o escritório de lobby de Loeffler recebeu quase US$ 15 milhões da Arábia Saudita desde 2002, além de vários outros milhões vindos de outros governos e empresas do exterior, como uma empresa aeroespacial francesa interessada em contratos com o Pentágono.   Fazendo campanha no Oregon, Barack Obama, o favorito entre os candidatos democratas, disse que seu rival republicano parece "bastante ser uma criatura de Washington". "E parece que nas últimas semanas John McCain continua tendo problemas com o fato de seus principais assessores serem lobistas, em alguns casos para governos estrangeiros e outros grandes interesses que estão atuando em Washington", afirmou. "Não acho que esse seja o tipo de mudança que o povo norte-americano esteja esperando."   O comitê de McCain reagiu acusando Obama de adotar o mesmo tipo de "velha política" que ele diz rejeitar. "A campanha de McCain recentemente adotou uma rígida política à qual todos os funcionários têm de obedecer. Muita gente boa pode ter um conflito que não seja reconciliável", disse o porta-voz do candidato republicano. "Arrastar os nomes de pessoas boas pela lama publicamente, como faz Barack Obama, é o pior tipo de assassinato de caráter, especialmente quando ele não torna públicos os nomes desses assessores", acrescentou Bonds.   Matéria atualizada às 14h50.

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