Em carta, Obama pede a Lula ajuda com Irã

Casa Branca valoriza iniciativa de fomentar diálogo entre os iranianos e países ocidentais sobre questão nuclear

Patrícia Campos Mello, Denise Chrispim Marin e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

25 Novembro 2009 | 09h19

Na véspera da visita ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a Casa Branca deixou claro ao governo Lula que valoriza a iniciativa brasileira de fomentar e intermediar o diálogo entre os iranianos e os países ocidentais sobre a questão nuclear. A posição dos Estados Unidos foi expressa pelo próprio presidente Barack Obama, em carta de três páginas enviada no domingo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

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No texto, os EUA admitem a insatisfação com a decisão do governo de receber o iraniano, mas reconhecem que o Brasil é um país soberano, com direito de orientar livremente a sua política externa. Diante da decisão, Obama pediu que Brasília abordasse os seguintes temas com Ahmadinejad: defesa dos direitos humanos e cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A carta tratou também das negociações sobre mudanças climáticas, da crise em Honduras e da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Na recepção, anteontem, no Itamaraty, o presidente tratou da questão nuclear, incentivando Ahmadinejad a manter as negociações com a AIEA, e dos direitos humanos.

Depois de lembrar que o Brasil pauta a sua política externa "pelo compromisso com a democracia e o respeito à diversidade", Lula acrescentou: "Defendemos os direitos humanos e a liberdade de escolha de nossos cidadãos com a mesma veemência com que repudiamos todo ato de intolerância ou de recurso ao terrorismo."

Seis potências

 

Na carta a Lula, Obama foi além da exposição do ponto de vista da sua administração sobre o acordo entre o Irã e seis potências nucleares - EUA, França, Inglaterra, Rússia, China e Alemanha -, que vem sendo mediado pela AIEA.

O americano reforçou seu desejo de que Lula transmitisse a Ahmadinejad que os EUA adotaram uma mudança real no tratamento da questão nuclear e defendem, para valer, o acordo sobre a troca de urânio enriquecido em baixo teor no Irã por combustível nuclear.

Ontem, o governo iraniano apresentou formalmente à AIEA uma nova versão da proposta de acordo, cujos termos originais haviam sido rejeitados por Teerã.

A primeira fórmula previa que o Irã embarcasse para a Rússia todo o seu estoque de urânio enriquecido em até 5%. Na Rússia, o teor seria elevado para 20% e a carga seria despachada para a França, onde seria convertida em combustível nuclear para o reator de Teerã, onde são produzidos radiofármacos.

Anunciada anteontem pelo próprio Ahmadinejad, em Brasília, a nova versão de Teerã prevê que o urânio seja depositado na Ilha Kirsch, no Irã, sob custódia internacional. O volume de 1.200 quilos disponível no país seria dividido em três partes, de 400 quilos cada. Toda vez que um volume equivalente de combustível chegasse ao Irã, seria remetida a carga de urânio enriquecido a 5%. Para o Itamaraty, a nova proposta revela o temor do Irã de embarcar o urânio e não receber o combustível nuclear.

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