Em discurso anual, Bush tentará acalmar americanos

O presidente dos EUA, George W.Bush, usará seu último discurso do Estado da União, a serrealizado nesta segunda-feira, para acalmar os norte-americanosapreensivos diante dos esforços realizados por seu governo parasalvar a economia. Bush também quer traçar um rumo que mantenha seu governorelevante ao longo do seu último ano de mandato. No entanto, enfraquecido politicamente devido à impopularguerra no Iraque e cada vez mais ofuscado pela corrida paraescolher seu sucessor, Bush deve gastar mais energia com areciclagem de algumas idéias antigas do que com a realização denovas e audaciosas propostas. O discurso anual, realizado diante do Congresso etransmitido em cadeia nacional de TV, pode ainda representar aúltima chance dele para usar o teleprompter presidencial parafixar o tom de seus últimos meses na Casa Branca e salvar seuproblemático legado. De toda forma, imprensado entre as prévias democratasrealizadas no sábado na Carolina do Sul e as préviasrepublicanas de terça-feira na Flórida, Bush enfrenta o desafiode fazer-se ouvir em meio ao burburinho da campanhapresidencial de 2008. Do topo da agenda para seu sétimo discurso do Estado daUnião devem constar declarações para convencer osnorte-americanos da eficiência de um pacote de 150 bilhões dedólares elaborado com o objetivo de evitar uma recessãoeconômica alimentada pelo aumento dos preços do petróleo e poruma crise no mercado de crédito imobiliário. O presidente tenta atualmente afastar as manobrasrealizadas por senadores democratas com vistas a ampliar opacote para além da restituição de impostos e do incentivo aosnegócios acertados com líderes da Câmara dos Representantes(deputados) na semana passada. "Apesar de compreender o desejo tanto da direita quanto daesquerda de acrescentar medidas, seria um erro minar esseimportante acordo bipartidário", disse Bush em seu discursosemanal no rádio, realizado no sábado. O presidente fará seu pronunciamento no Capitólio às 0h(horário de Brasília). REALISMO Bush, que criticou o Congresso por inserir em projetos delei emendas prevendo mais gastos, adotará uma postura maisrígida do que a adotada até agora para coibir a prática desugerir propostas de interesse pontual que beneficiam algunsdistritos dentro dos Estados. "Hoje à noite, em seu discurso do Estado da União, opresidente anunciará medidas sem precedentes que está adotandopara reduzir e reformar o sistema de emendas", disse TonyFratto, porta-voz da Casa Branca. "O presidente dirá que se houver justificativas pararealizar os gastos então o Congresso deveria debatê-los deforma pública e aberta", afirmou o porta-voz. Segundo Fratto, Bush deve prometer vetar qualquer projetoque não diminua os gastos com as emendas pela metade em relaçãoao nível do Orçamento atual. E mandará que as agências do governo ignorem as emendasdefendidas em relatórios que acompanham as novas leis mas quenão têm poder de lei eles próprios. Ao lado da economia, que deve ser o assunto principal dodiscurso, o presidente deve falar também sobre a diminuição daviolência no Iraque, a luta contra a Aids na África e osesforços de combate ao aquecimento global. Enquanto alguns norte-americanos já olham para além deBush, à espera de seu sucessor, outros começam a avaliar olegado da Presidência dele, algumas vezes de forma bastantedura. "Ele é um desastre -- se não for o pior presidente de todosos tempos, Bush é ao menos o pior desde Carter, Hoover equalquer outro caso recente de fracasso", afirmaram Lou e CarlCannon, autores de um livro sobre o lugar do atual presidentena história.

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