Em entrevista, Gates reflete sobre ônus da guerra

De saída, secretário de Defesa americano fala sobre os quatro anos em que esteve no cargo

PHIL STEWART, MISSY RYAN E DAVID ALEXANDER, REUTERS

30 de junho de 2011 | 10h02

Ex-diretor da CIA foi o único membro do gabinete republicano a ser mantido pelo democrata Obama        

 

 

 

WASHINGTON - Em sua última entrevista como secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates se cala ao refletir sobre o pesado ônus que o cargo lhe impôs nos últimos quatro anos e meio - integralmente transcorridos em situação de guerra.

Gates comentou um funeral ao qual compareceu nesta semana, de um fuzileiro naval morto no Afeganistão. Durante a cerimônia, ele observou as fileiras de lápides brancas que foram acrescidas durante seu mandato ao Cemitério Nacional de Arlington, onde são sepultados os militares mortos em conflito.

Sendo o responsável por assinar as ordens de mobilização de pessoal, isso foi especialmente duro para ele. "Aquilo ficará comigo pelo resto da minha vida", afirmou Gates à Reuters no seu gabinete do Pentágono, na véspera de entregar o cargo.

O presidente Barack Obama diz que Gates passará à história como um dos maiores secretários de Defesa que o país já teve. Esse afável ex-diretor da CIA, no entanto, parece desconfortável com os louvores na despedida. À certa altura ele disse, em tom de brincadeira, que tem a sensação de "estar participando do próprio velório".

Chamado para o cargo pelo então presidente George W. Bush em 2006, no auge da impopular guerra do Iraque, Gates foi o único membro do gabinete republicano a ser mantido pelo democrata Obama.

Tornou-se um dos mais confiáveis conselheiros do presidente, e participou da formulação das políticas dos EUA para o Iraque e do envio de reforços para o Afeganistão.

Ele parece se orgulhar do que os EUA conseguiram no Iraque, mas sem ter certeza sobre o futuro, ele se mostra abertamente preocupado com a cumplicidade do Irã nos ataques contra forças norte-americanas em solo iraquiano, numa ocupação que deve terminar no final do ano.

"Está confuso, mas se as coisas derem errado no Iraque a esta altura, não é nossa culpa", disse Gates, acrescentando que considera o Iraque, apesar de todos os seus defeitos, como a mais avançada democracia do mundo árabe. "Cabe aos iraquianos a esta altura (cuidar do seu país), e já tem sido assim no último par de anos. E francamente, a esta altura, acho que eles estão fazendo direito."

Sobre o Afeganistão - de onde Obama anunciou na semana passada um cronograma para a retirada de 33 mil soldados no prazo de um ano - Gates disse que Obama "teve uma verdadeira corda-bamba para caminhar em termos de equilibrar risco militar e risco político".

"Não teria feito nenhuma diferença se o presidente dissesse 'Mantenha-os lá mais dois anos', se o Congresso não tivesse aprovado a verba."

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