Em meio a protestos, Ahmadinejad responde acusações dos EUA

Na véspera do discurso do presidente do Irã diante na Assembléia da ONU, comunidade condena visita ao país

Reuters e Associated Press,

24 de setembro de 2007 | 14h05

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reuniu-se com membros de um grupo judaico anti-sionista nesta segunda-feira, 24, em Nova York, durante uma visita que vem gerado protestos. O líder está na cidade para participar da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).   Nesta segunda, o chefe de governo do Irã participa de uma de uma sessão de perguntas e respostas com professores e alunos na Universidade de Columbia e cumpre a agenda de compromissos em Nova York um dia antes de discursar diante da Assembléia Geral da ONU.   Grupos judaicos tradicionais somaram-se às vozes que condenaram um convite feito pela Universidade Columbia para que o líder iraniano participasse, ainda nesta segunda, do Fórum de Líderes Mundiais, um evento realizado pela instituição de ensino.   "O mal pousou", afirmou o jornal nova-iorquino Daily News em sua manchete de primeira página, relatando as críticas feitas por americanos devido ao fato de Ahmadinejad, que questiona a existência do Holocausto e que é acusado pelos EUA de dar apoio a terroristas, ter conseguido uma plataforma para falar em uma das universidades mais respeitadas do país.   Direito de resposta   Antes de deixar o Irã, Ahmadinejad disse a sua visita aos EUA dará ao povo americano a chance de conhecer um outro lado das acusações, já que ele não recebe "as informações corretas", segundo a agência oficial IRNA.   O presidente afirmou em uma entrevista que será transmitida nesta segunda-feira que o Irã não tem interesse em adquirir armas nucleares e nem numa guerra contra os Estados Unidos. Ele ainda respondeu com um seguro "não" ao ser questionado sobre o desenvolvimento de uma bomba nuclear, segundo uma transcrição da entrevista realizada pelo programa "60 Minutes" na quinta-feira, em Teerã.   "Vocês têm de levar em conta que nós não precisamos de bomba atômica. Não precisamos disso. Para que nós iríamos querer uma bomba? Nas relações políticas de hoje, a bomba nuclear não tem utilidade. Se fosse útil, ela teria evitado o fim da União Soviética", acrescentou.   Ahmadinejad assegurou durante entrevista à Associated Press que seu país não lançará um ataque militar contra Israel nem contra qualquer outro país. Ele também disse não acreditar que os Estados Unidos estejam se preparando para uma guerra contra o Irã.   "O Irã não vai atacar nenhum país", disse Ahmadinejad, acrescentando que seu país sempre manteve uma postura defensiva e "nunca buscou expandir seu território".   Indagado sobre se acredita que os EUA estejam se preparando para uma guerra, ele respondeu: "Não é como eu vejo as coisas. Acredito que parte do que se diz sobre isso tem a ver, em primeiro lugar, com ódio. Em segundo lugar, isso serve a propósitos eleitorais domésticos naquele país. Em terceiro lugar, serve de cobertura para os fracassos da política americana no Iraque".   Israel discordou radicalmente da definição que Ahmadinejad deu da política externa do Irã. O governo iraniano, "por suas palavras e ações, tem uma política agressiva e expansionista", considerou o porta-voz do Ministério do Exterior israelense, Mark Regev.   "Eles apóiam grupos extremistas nos territórios palestinos e no Líbano. Eles possuem um programa agressivo de armas nucleares. O presidente, antes de seguir para Nova York, assistiu a uma parada militar. Creio que seríamos irresponsáveis se não levássemos a sério a ameaça representada pelo Irã à região e ao mundo", declarou.   Os Estados Unidos e outras potências ocidentais acusam o Irã de desenvolver em segredo um programa nuclear bélico. O governo iraniano nega e assegura que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica.

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