Em reunião secreta, EUA exigem renúncia de Gaddafi

Autoridades líbias e norte-americanas mantiveram uma reunião secreta, na qual Trípoli buscou negociações sem pré-condições, enquanto Washington deu o recado de que Muammar Gaddafi precisa deixar o poder.

LUTFI ABU-AUN, REUTERS

19 de julho de 2011 | 09h17

O encontro ocorreu no fim de semana, enquanto as forças do governo líbio disputavam com os rebeldes o controle da cidade portuária de Brega, que insurgentes disseram na segunda-feira estar sob seu cerco - algo que Trípoli negou.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse que a reunião "serviu para transmitir uma mensagem clara e firme de que o único caminho pela frente é pela renúncia de Gaddafi".

"Não foi uma negociação. Foi a entrega de uma mensagem", disse o porta-voz, acrescentando que não há novas reuniões programadas.

A Líbia disse estar disposta a discussões, desde que sem pré-condições.

"Qualquer diálogo com os franceses, norte-americanos e britânicos é bem vindo", disse o porta-voz governamental Moussa Ibrahim a jornalistas em Trípoli. "Vamos discutir tudo, mas não condicionem suas conversações de paz. Deixem os líbios decidirem o seu futuro."

Ele disse que a reunião aconteceu no sábado na Tunísia. O porta-voz norte-americano afirmou que o encontro foi marcado após repetidos contatos feitos por emissários de Gaddafi.

A BBC noticiou que a França também teve conversas semelhantes com autoridades líbias no balneário tunisiano de Djerba, insistindo na ida de Gaddafi para o exílio.

"Claramente a situação está mudando. Se você tivesse me perguntado há dez dias, eu seria mais cauteloso", disse o ministro francês da Defesa, Gerard Longuet. "Claramente a situação está se mexendo, porque líbios de todas as origens estão absolutamente certos de que Gaddafi não é mais uma opção para o futuro."

Para o ministro, a "contagem regressiva já começou" para o fim do regime. "Mas estou cauteloso porque Gaddafi não é racional, e pode optar por uma estratégica de bunker, tomando toda a população de Trípoli como refém."

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, não quis comentar a reunião entre EUA e Líbia, mas disse que a entidade mundial planeja assumir um papel central na mediação para a saída de Gaddafi.

"Há muitos atores e a Organização das Nações Unidas está desempenhando um papel de coordenação. Meu enviado especial está desempenhando um papel central de coordenação", disse Ban à Reuters na terça-feira em Genebra.

Ele se referia ao enviado especial Abdul Elah al Khatib, que participou na semana passada em Istambul da reunião do grupo internacional de contato para a Líbia, que aprovou um plano que inclui a renúncia de Gaddafi e a transição da Líbia para a democracia. Khatib, ex-chanceler da Jordânia, foi autorizado a apresentar a Gaddafi os termos da sua renúncia.

(Reportagem adicional de Andrew Quinn em Nova Délhi, Nick Carey em Misrata, Steve Gutterman em Moscou, Yasmine Saleh e Omar Fahmy no Cairo, Peter Graff em Al-Qawalish, Líbia, Joseph Nasr em Berlim, Stephanie Nebehay em Genebra e Hamid Ould Ahmed em Alger)

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