Jim Young/ Reuters
Jim Young/ Reuters

Em Seul, Obama eleva o tom contra Coreia do Norte e Irã

Obama e Lee garantem ajuda econômica caso Pyongyang tome 'passos sérios' e aceite proposta nuclear

estadao.com.br,

19 Novembro 2009 | 07h37

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mandou uma dura mensagem para Coreia do Norte e Irã nesta quinta-feira, 19, afirmando que os dois países correm o risco de sofrerem novas sanções e ficarem ainda mais isolados se não renunciarem às suas ambições nucleares. Durante entrevista coletiva com o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, os dois líderes exigiram que Pyongyang retome as negociações internacionais sobre o programa atômico do país em troca de ajuda econômica.

 

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Depois de um encontro com o presidente Lee na capital, Seul, Obama disse que seria bom para o povo da Coreia do Norte se o país abandonasse as armas e se reunisse novamente à comunidade internacional. Segundo a BBC, Obama reafirmou o compromisso para continuar as negociações sobre o programa nuclear do país e anunciou uma viagem do enviado especial para assuntos nucleares, Setphen Bosworth, a Coreia do Norte no dia 8 de dezembro para um diálogo direto com as autoridades em Pyongyang.

 

"Nossa mensagem é clara. Se a Coreia do Norte está preparada para tomar passos concretos e reversíveis para cumprir suas obrigações e eliminar o programa de armas nucleares, os Estados Unidos providenciarão ajuda econômica e ajudarão a promover a integração completa do país com a comunidade de nações", afirmou Obama. O presidente disse ainda que a oportunidade e o respeito "não virão com ameaças".

 

Já Lee reforçou a proposta do que chama de uma "grande troca", pela qual Pyongyang encerraria o programa nuclear em troca de ajuda financeira. "Espero que, ao aceitar nossa proposta, o Norte garanta a segurança, melhore a qualidade de vida para seu povo e abra o caminho para um novo futuro", disse o sul-coreano.

 

Em suas declarações, o presidente americano ainda indicou que "há semanas, Irã não dá sinais de querer dizer que sim" às propostas internacionais, bem porque isso faça parte de sua estratégia ou bem porque "se encontra emaranhado em sua própria retórica". Mas a paciência do mundo não é infinita e por isso, indicou, EUA e seus aliados no grupo das seis potências que negocia com o Irã - Reino Unido, França, Alemanha, China e Rússia, além de Washington - "estamos abordando consequências" para Teerã.

 

"Ao longo das próximas semanas, apresentaremos um conjunto de medidas potenciais" que se aplicariam ao Irã se esse país continua arrastando os pés nas negociações e não aceita as propostas. As seis potências instaram ao Irã a aceitar uma proposta pela qual a República Islâmica enviaria seu urânio enriquecido a baixo nível à Rússia, onde se refinaria a um grau suficiente para seu uso em um reator médico em Teerã, uma iniciativa que Obama descreveu como "criativa e sensata". Até o momento o Irã não deu uma resposta clara. Segunda-feira, o Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) expressou sua preocupação porque o reator clandestino iraniano descoberto em Qom queria dizer que a República Islâmica siga ocultando parte de seu programa atômico.

 

Irã assegura que suas atividades nucleares têm como fim procurar energia elétrica a sua população, enquanto as potências internacionais suspeitam que esse programa tem fins militares. Em suas declarações, Obama destacou hoje a "extraordinária unidade" da comunidade internacional neste aspecto.

 

Comércio

 

Além das questões nucleares, os dois presidentes discutiram ainda a necessidade de progredir em um acordo bilateral de livre comércio assinado há dois anos, mas que ainda não foi retificado. "O presidente Obama e eu novamente confirmamos a importância estratégica e econômica do acordo de livre comércio entre nossos países e concordamos em trabalhar para o seu progresso", afirmou Lee após o encontro. Obama descreveu o presidente sul-coreano como um "bom amigo" e afirmou que sua recepção na Coreia do Sul foi "espetacular".

 

O líder norte-americano foi recebido por uma multidão ao lado das ruas e com uma cerimônia elaborada de boas vindas. Cerca de 13 mil policiais e soldados participaram de um grande esquema de segurança para a visita do presidente Obama. Apesar disso, houve manifestação contra a presença do presidente americano e outros manifestantes fizeram protestos para pedir que Obama faça mais sobre a situação dos direitos humanos na Coreia do Norte.

 

A Coreia do Sul é a última etapa do giro do presidente americano pela Ásia. Além de Seul, Obama visitou ainda o Japão, Cingapura e China. Essa é também a primeira visita de Obama ao país asiático desde que assumiu a Presidência, em janeiro.

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