Em tribunal dos EUA, parente de Bin Laden nega complô

Um genro de Osama bin Laden declarou-se inocente na sexta-feira, em um tribunal de Nova York, das acusações de conspirar para matar norte-americanos, tornando-se uma das mais graduadas figuras da Al Qaeda a enfrentar julgamento nos Estados Unidos por crimes relacionados aos atentados de 11 de setembro de 2001.

JONATHAN ALLEN, Reuters

08 de março de 2013 | 17h22

Suleiman Abu Ghaith, que atuou como porta-voz da Al Qaeda em alguns vídeos, compareceu pela primeira vez à Corte Distrital de Manhattan, a poucos quarteirões do local onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center, destruídas em 2001 por militantes em aviões sequestrados.

Os atentados foram tramados pela rede Al Qaeda, do militante Osama bin Laden, que foi morto em 2011 por forças dos EUA no Paquistão. Seu genro foi capturado em 28 de fevereiro e levado secretamente para os EUA no dia seguinte, segundo relato de promotores no tribunal.

Fontes governamentais disseram que Abu Ghaith foi preso na Turquia, mas alguns meios de comunicação disseram que a detenção ocorreu na Jordânia.

O militante de 47 anos, calvo e barbado, chegou algemado ao plenário lotado. Usava uniforme azul escuro de presidiário, e parecia cooperar, acompanhando atentamente os procedimentos por intermédio de um intérprete, e eventualmente aquiescendo.

Os indícios contra Abu Ghaiith incluem vídeos, gravações de áudio e um relatório de 22 páginas com transcrições de declarações que ele prestou a agentes desde sua prisão, segundo os promotores.

O acusado se pronunciou duas vezes no tribunal, quando o juiz Lewis Kaplan lhe perguntou se ele entendia as acusações, e depois quando perguntou se ele aceitava os advogados nomeados pelo tribunal. Abu Ghaith disse "sim" nas duas vezes.

Um dos advogados indicados, Philip Weistein, apresentou em nome do acusado uma declaração de inocência.

A segurança estava reforçada no tribunal, com bloqueios nos acessos. Tentativas anteriores do governo Obama de julgar em Nova York acusados de envolvimento no 11 de Setembro enfrentaram resistência devido à necessidade de um caro esquema de segurança.

Em 2010, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, disse que o julgamento de cinco desses suspeitos na cidade custaria 200 milhões de dólares por ano. O processo acabou sendo transferido para a base militar de Guantánamo, em Cuba.

A data do julgamento de Abu Ghraith deve ser marcada numa audiência em 8 de abril. Os promotores dizem que o julgamento deve durar três semanas.

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