Em última campanha no cargo, Obama deixa as ruas e se concentra em eventos de arrecadação

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, participa de sua última campanha eleitoral no cargo principalmente em eventos para angariar fundos para o Partido Democrata, frequentando salões de hotéis e casas de doadores, em um cenário bastante diferente das grandes multidões que acompanharam seu trajeto à Casa Branca e o ajudaram a se eleger duas vezes.

STEVE HOLLAND, REUTERS

28 de outubro de 2014 | 09h40

Esses, no entanto, não são os lugares onde Obama gostaria de estar em seu segundo mandato. Mas, com a aprovação do presidente perto de 40 por cento, um evento público com Obama seria um risco para a maioria dos democratas em Estados com disputa acirrada, onde o controle do Senado será decidido nas eleições de 4 de novembro. 

Mas Obama já viajou bastante como o principal levantador de fundos para os democratas, encabeçando cerca de 60 eventos neste ano e captando milhões de dólares para ajudar a pagar por anúncios de campanha e atividades com eleitores para candidatos no Congresso.

Não é uma posição desconhecida para um presidente em seu segundo mandato, quando a popularidade pode começar a desaparecer. Republicanos também mantiveram o presidente anterior, George W. Bush, distante em 2006, quando a impopular guerra do Iraque arrastou para baixo sua popularidade. 

Mas é surpreendente que isso tenha acontecido com Obama, cuja campanha “sim, nós podemos” de 2008 atraiu enormes multidões e entusiasmou muitos eleitores.

A uma semana das eleições, republicanos estão em uma forte posição para ganhar os seis assentos que precisam para reconquistar a maioria no Senado. Obama alertou para isso. 

"Esta é a última eleição na qual me envolvo que realmente fará diferença”, disse ele em uma recente entrevista ao âncora de rádio Steve Harvey.

O circuito de arrecadação de fundos levou Obama para luxuosos apartamentos de Nova York, para salões de hotéis em Washington, para uma vizinhança judaica em Baltimore e a casas de possíveis doadores em todo país - qualquer lugar em que uma pequena multidão se reúna para assinar cheques para o partido. 

Na casa da atriz Gwyneth Paltrow em Los Angeles, convidados pagaram 1.000 dólares e os que ficaram para o jantar desembolsaram 15.000. Na casa do empresário Mark Gallogly, os convidados gastaram de 25.000 a 32.400 para estar lá. 

Enquanto Obama falava, os convidados silenciosamente tomavam seus vinhos e apreciavam o cenário repleto de arte de qualidade. A cena é similar em cada parada: o anfitrião, tipicamente um democrata rico que reuniu dezenas de contribuidores sob um teto, apresenta o presidente e entrega o microfone para Obama. 

Representantes da Casa Branca dizem que ele está fazendo o que pode para o partido.

Na semana final antes das eleições de terça-feira, ele mudará sua tática e se concentrará em comícios em cinco Estados mais amigáveis. 

Ganhar o Senado colocaria os republicanos no controle das duas casas do Congresso norte-americano, o que complicaria os últimos dois anos de Obama no cargo.

Para o presidente, que conseguiu a maior parte de suas conquistas quando os democratas controlavam o Congresso durante seus dois primeiros anos de governo, essa é uma péssima notícia. 

“É legal que alguns de vocês tenham tirado uma foto comigo. Fico feliz em fazer isso”, disse Obama em evento recente em San Francisco. “Mas o que mais precisamos agora é de votos."

Tudo o que sabemos sobre:
EUAOBAMACAMPANHA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.