Em viagem, Obama busca mudar política para Ásia

Em giro asiático, presidente pretende reverter negligência de Bush com região de peso econômico crescente

Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

12 Novembro 2009 | 08h03

 O presidente americano, Barack Obama, inicia nesta sexta-feira, 13, sua primeira viagem à Ásia determinado a fortalecer os laços com uma região estratégica, que acredita ter sido negligenciada durante o governo de George W. Bush.

 

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Obama encontrará um continente com peso econômico crescente e marcado pela emergência da China como novo poder regional e global. Sua passagem por Pequim será o ponto crucial de um roteiro que também inclui Japão, Coreia do Sul e Cingapura, onde participará de encontro da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês).

O presidente começa sua visita pelo Japão, cujo o novo premiê, Yukio Hatoyama, assumiu o cargo defendendo uma relação de "iguais" com Washington. Apesar da mudança de tom, a aliança entre os dois países deverá ser reafirmada durante a visita, ainda que a natureza do relacionamento continue em discussão.

A "modernização" da aliança militar também estará em pauta na Coreia do Sul. O país abriga bases americanas desde 1953, quando o confronto com a Coreia do Norte terminou em um armistício - e não em um acordo de paz, o que significa que os dois lados ainda estão tecnicamente em guerra.

No domingo, Obama desembarca na China, país com o qual os EUA mantêm uma relação com grau de complexidade sem paralelo no mundo. Ele já declarou que essa é a mais importante relação bilateral do planeta e ontem afirmou que considera a China um "parceiro vital e também um competidor".

Washington e Pequim desenvolveram uma relação econômica de dependência mútua. O mercado americano é o principal destino das exportações chinesas e sustentou grande parte do processo de acumulação de reservas internacionais por Pequim, que hoje está sentado sobre uma montanha de US$ 2,27 trilhões. Na mão contrária, a China é a maior financiadora do déficit americano e a principal credora do país, com cerca de US$ 800 bilhões de títulos do Tesouro.

Segundo seus assessores, Obama dirá aos líderes chineses que nenhuma das grandes questões globais pode ser resolvida sem a cooperação de Pequim. São temas como o programa nuclear da Coreia do Norte e do Irã e a guerra do Afeganistão. O presidente também deve discutir o regime cambial chinês, que mantém a cotação do yuan vinculada ao dólar e em um patamar que a maioria dos países, incluindo o Brasil, considera artificialmente baixo.

Pequim também quer tratar de tópicos que não estão na agenda de Washington, como a queixa sobre as tarifas impostas pelos americanos na importação de produtos chineses.

A passagem pela Ásia se enquadra em um esforço mais amplo de Obama de restaurar a imagem dos EUA e reforçar seu papel de líder mundial. Após o giro asiático, ele terá visitado 20 países, um recorde entre os presidente americanos, se levado em conta o mesmo período de tempo.

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