Reprodução/Twitter
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Em vídeo, Trump diz que se sente 'muito melhor' e próximos dias serão 'verdadeiro teste'

Presidente americano foi às redes sociais neste sábado após declarações contraditórias da sua equipe médica e do chefe de gabinete sobre seu estado de saúde

Beatriz Bulla, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2020 | 21h18
Atualizado 05 de outubro de 2020 | 15h26

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou um vídeo em sua conta no Twitter, gravado no hospital onde está desde sexta-feira no qual disse que está melhorando da covid-19.‪“Eu vim aqui, não estava me sentindo tão bem. Me sinto muito melhor agora. Estamos trabalhando duro para me colocar de volta. Eu tenho de voltar porque ainda tenho de fazer a América grande de novo”, disse Trump. 

“Estou ansioso para voltar para a campanha da forma como estávamos fazendo”, afirmou o presidente, que disputa a reeleição. O voto antecipado e pelo correio já começou em muitos estados e a data oficial da votação é em 3 de novembro, daqui a um mês. 

Com aparência abatida, ele agradeceu o apoio que tem recebido e disse que foi para o hospital porque não conseguiria “ficar trancado” na Casa Branca. ‪“Eu não tinha opção (...). Eu não consigo fazer isso (ficar isolado na Casa Branca) Isso é a América, os Estados Unidos, eu não consigo ficar trancado em um ‬quarto” disse.

 

 

O presidente afirmou que nos próximos dias terá um “teste real”, “vamos ver o que acontece nos próximos dias”. Ele agradeceu os desejos de recuperação feitos nos EUA e por líderes mundiais. 

Segundo Trump, que negou a gravidade da pandemia e rejeitou a seguir as orientações das autoridades de saúde, sua infecção foi “algo que aconteceu”, assim como com “milhões de pessoas pelo planeta”. Ele ressaltou os avanços terapêuticos no combate à doença, incluindo os tratamentos experimentais que está tomando, classificando-os como “milagres que vêm de Deus”.

Apesar de médicos da Casa Branca terem informado em coletiva no sábado que Trump passa bem após o diagnóstico de covid-19, o chefe de gabinete do republicano traçou um quadro mais grave. Segundo Mark Meadows, os sinais vitais de Trump nas últimas 24 horas (sexta-feira) foram preocupantes e as próximas 48 horas serão determinantes para o tratamento".  

Trump está internado desde a noite de sexta-feira no hospital militar Walter Reed. "Ainda não estamos em um caminho claro para a recuperação completa", disse Meadows.  A informação foi inicialmente revelada em off, mas no meio da tarde de sábado veículos americanos confirmaram que Meadows havia sido a fonte. "Nós ainda não estamos em um caminho claro para uma recuperação completa", disse ele.    

A informação revela um quadro mais sério do que o médico Sean Conley descreveu oficialmente. Conley afirmou que Trump "não teve dificuldade de respirar" e não estava recebendo oxigênio suplementar no momento da coletiva de imprensa, sem responder claramente no entanto se o presidente precisou de ajuda para respirar desde o diagnóstico de covid-19. Duas fontes confirmaram ao jornal The New York Times e à rede ABC, no entanto, que Trump precisou de suplementação de oxigênio ainda na Casa Branca, antes de ir ao hospital.

A decisão de transferir o presidente da residência oficial para o hospital foi tomada depois que ele precisou de ajuda para respirar. Ainda na noite de sábado, Conley disse que Trump está sem febre e melhorando, mas ainda não está fora de perigo. "Ele passou boa parte da tarde tratando de negócios e tem se levantado e se movimentado pelo quarto sem dificuldade", disse o médico.

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