Embaixador dos EUA diz que ação russa na Geórgia foi legítima

Diplomata americano afirma que tropas reagiram a ataques contra forças de paz russas na Ossétia do Sul

REUTERS

22 de agosto de 2008 | 09h16

Os Estados Unidos fizeram nesta sexta-feira, 22, um raro afago diplomático na Rússia, quando seu embaixador em Moscou disse que o Kremlin reagiu de forma legítima à ação militar da Geórgia na Ossétia do Sul e aos ataques contra seus soldados.  Várias autoridades dos EUA, inclusive o presidente George W. Bush, criticaram duramente a ação militar russa como um todo - que expulsou as forças georgianas da Ossétia do Sul e ocupou partes da Geórgia. Mas, em geral, Washington evitava comentar os fatos que levaram ao conflito.   Veja também: Rússia mantém tropas apesar de promessa de saída da Geórgia Rússia interrompe cooperação militar com Otan Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia A guerra no Cáucaso começou no dia 7, quando a Geórgia mobilizou tropas para tentar reassumir o controle da Ossétia do Sul, uma região separatista e etnicamente diversa, que desde 1992 goza de autonomia sob proteção russa. Em sua primeira entrevista importante no cargo de embaixador em Moscou, John Beyrle disse ao jornal russo Kommersant que o conflito pode afetar a confiança dos investidores americanos na Rússia. "Agora vemos forças russas - que reagiram a ataques contra tropas de paz russas na Ossétia do Sul, legitimamente -, vemos essas forças agora tendo avançado para o solo da Geórgia. A integridade territorial georgiana está em questão aqui", disse Beyrle ao jornal. De acordo com ele, os EUA não aprovaram a ação militar inicial da Geórgia, ocorrida após uma sucessão de tensos movimentos. "Não queremos ver um recurso à violência e à força, e deixamos isso claríssimo (à aliada Geórgia)", disse Beyrle. Fontes da embaixada dos EUA confirmaram o teor das declarações dele ao jornal. "O fato de que estávamos tentando convencer o lado georgiano a não dar este passo é uma clara evidência de que não queríamos que isso acontecesse", afirmou o diplomata na entrevista, publicada nesta sexta-feira."Vimos a destruição da infra-estrutura civil, bem como apelos de alguns políticos russos para mudar o governo democraticamente eleito da Geórgia. Alguns questionam a integridade territorial da Geórgia. Por isso acreditamos que a Rússia foi longe demais", declarou. De acordo com Beyrle, os EUA continuam apoiando a adesão da Rússia à Organização Mundial do Comércio, discutida há mais de uma década. "Mas investidores norte-americanos agora olham a situação da Rússia com preocupação e se fazem perguntas." 

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