Embaixador dos EUA em Cabul alerta contra aumento de tropas

Ex-general mostra preocupação sobre o envio de soldados sem o compromisso de Karzai de combater corrupção

estadao.com.br,

12 Novembro 2009 | 09h49

O embaixador dos Estados Unidos no Afeganistão, Karl Eikenberry, disse estar preocupado com o envio de mais tropas americanas para o país, segundo afirmaram as edições desta quinta-feira, 12, dos jornais The New York Times e Washington Post. Eikenberry, ex-comandante das tropas dos EUA no Afeganistão, teria mandado duas mensagens para Washington na semana passada expressando receio sobre o aumento da presença militar sem o compromisso do presidente Hamid Karzai de combater os problemas de corrupção e administração que alimentam a insurgência taleban. 

 

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Os jornais, citando altos oficiais sob anonimato, afirmou que Eikenberry mantém reservas sobre a decisão do governo afegão de lutar contra a corrupção, sobretudo nos níveis mais altos da administração liderada por Karzai. O embaixador indicou ainda que lhe preocupa que o aumento de tropas aprofunde a dependência do governo afegão no apoio americano em momentos em que as tropas afegãs deveriam assumir uma maior responsabilidade no combate. Ele também disse estar frustrado pela lentidão com que se alocaram os fundos para o desenvolvimento e a reconstrução do Afeganistão, um país arrasado por três décadas de conflitos.

 

Os memorandos de Eikenberry foram enviados enquanto Obama entra na reta final para deliberar a nova estratégia para o Afeganistão, ilustrando as dificuldades da decisão e a profunda divisão interna na administração. Obama e sua equipe de Segurança Nacional estiveram reunidos na quarta-feira por mais de duas horas analisando as opções para modificar sua posição na guerra e quanto tempo seria necessário para aplicar cada uma delas.

 

Após o encontro, a Casa Branca emitiu um comunicado que aparentemente reflete as preocupações de Eikenberry. "O presidente acredita que é necessário deixar claro ao governo afegão que nosso compromisso não é indefinido". Na véspera de seu primeiro giro pela Ásia, que começa pelo Japão a partir desta sexta, Obama analisou uma série de opções e planos militares que diferem nos números de soldados que seriam enviados - entre 10 mil e 40 mil militares. Nenhuma das propostas adia o envio de tropas ou menciona a redução do contingente militar.

 

Obama analisou quatro opções finais, que sugerem diferentes níveis de expansão da presença americana, cronogramas de adoção de novas estratégias e expectativas para o treinamento das forças de segurança afegãs. Elas incluem não só um aumento de soldados, mas também contemplam diferentes objetivos, incluindo a abrangência das áreas afegãs que as tropas devem controlar, diferentes períodos de treinamento e expectativas sobre os soldados afegãos.

 

A proposta de enviar um reforço militar de 30 mil ou mais soldados ao Afeganistão tem o apoio dos três principais conselheiros de Obama, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, o chefe do Estado-Maior, Mike Mullen, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse um funcionário americano. O atual comandante americano no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, pediu o envio de 40 mil soldados.

 

Segundo o jornal, os comentários de Eikenberry, um ex-general quatro estrelas aposentado e que comandou as tropas no Afeganistão entre 2006 e 2007, poderiam ter peso na decisão sobre o contingente militar no país. Eikenberry, que assumiu o cargo de embaixador este ano, tinha se mantido à margem até agora dos temas militares. Segundo o Post, o forte tom das mensagens de Eikenberry causou surpresa entre os funcionários do governo de Obama, que são partidários do aumento do contingente militar.

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