Embaixador dos EUA na Líbia morre em atentado em Benghazi

O embaixador dos Estados Unidos na Líbia, Christopher Stevens, e três outros funcionários da embaixada foram mortos na terça-feira quando deixavam às pressas o prédio do consulado norte-americano em Benghazi, confirmaram nesta quarta-feira autoridades líbias e norte-americanas. O local estava sob ataque de militantes ligados à rede al Qaeda, os quais criticavam os EUA por um filme que consideram insultuoso ao profeta Maomé.

Reuters

12 de setembro de 2012 | 11h01

Os militantes atacaram e colocaram fogo no Consulado dos EUA em Benghazi, berço do levante contra o regime de 42 anos de Muammar Gaddafi, enquanto outro atentado era desfechado contra a representação diplomática do país no Cairo.

O embaixador Stevens estava tentando deixar o prédio do consulado por uma passagem segura quando os homens armados lançaram um intenso ataque, aparentemente forçando o pessoal da segurança a recuar.

"O embaixador americano e os três membros do quadro de funcionários foram mortos quando os homens dispararam foguetes em sua direção", disse à Reuters uma autoridade líbia em Benghazi. Fontes do aeroporto disseram que os corpos iriam ser levados para Trípoli.

Acredita-se que o ataque tenha sido planejado pelo grupo Ansar al-Sharia, um grupo islamista sunita no estilo da rede al Qaeda que tem sido ativo em Benghazi, disse uma autoridade do setor de segurança da Líbia. Testemunhas disseram que os manifestantes também incluíam membros de tribos, milicianos e outros homens armados.

O ataque levanta questões sobre a futura presença diplomática dos EUA na Líbia, as relações entre Washington e Trípoli, a instável situação na Líbia pós-Gaddafi e sobre a possibilidade de novos protestos ocorrem no mundo muçulmano.

O filme alvo da manifestação mostra Maomé como um idiota, mulherengo e falso religioso. Em um clipe postado no YouTube, Maomé parece estar tendo relações sexuais com uma mulher. Para muitos muçulmanos é uma blasfêmia até mesmo mostrar um desenho do profeta.

O presidente dos EUA, Barack Obama, condenou veementemente a morte do embaixador e de três outros funcionários diplomáticos, no que qualificou de "ataque ultrajante" ao consulado norte-americano em Benghazi, e determinou que a segurança seja reforçada em instalações diplomáticas dos EUA no mundo todo.

"Orientei minha administração para que ofereça todos os recursos necessários para apoiar a segurança do nosso pessoal na Líbia, e para que aumente a segurança em nossos postos diplomáticos em todo o globo", disse Obama em nota.

"Ao mesmo tempo que os Estados Unidos rejeitam esforços para denegrir crenças religiosas dos outros, nós todos temos de inequivocamente nos opor ao tipo de violência sem sentido que tomou a vida desses servidores públicos", afirmou ele no comunicado.

A Casa Branca informou depois que Obama iria fazer um pronunciamento sobre o caso na manhã desta quarta-feira.

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