ENTREVISTA-EUA pedem libertação de presos políticos cubanos

Libertar os presos políticos seria oprimeiro passo para sinalizar futuras mudanças políticas emCuba depois da renúncia do presidente Fidel Castro, mas issonão bastaria para que Washington revisse sua política comrelação a Havana, disse na terça-feira o secretárionorte-americano de Comércio, Carlos Gutierrez. Em entrevista à Reuters, ele disse que o embargo econômicoà ilha só vai acabar quando o regime cubano der passos clarosrumo à democratização. "Libertar os presos políticos é algo necessário, é algo quetem que ser um primeiro passo", disse Gutierrez, que nasceu emCuba e foi levado pela família para os EUA ainda criança, em1960. "Fomos muito claros, que libertem os presos políticos, quepermitam partidos políticos, que permitam a expressão, quepermitam a liberdade econômica", acrescentou. Na terça-feira, o "Granma", órgão oficial do PartidoComunista Cubano, publicou uma carta em que Fidel diz que nãose candidatará a um novo mandato presidencial na eleiçãoindireta do dia 24, encerrando assim quase 50 anos à frente dogoverno do país. Gutierrez preside, junto com a secretária de EstadoCondoleezza Rice, uma comissão destinada a promover uma mudançade governo em Cuba. Ele é partidário da linha-dura dopresidente republicano George W. Bush, que ampliou asrestrições às viagens e ao envio de dinheiro à ilha. O secretário não comentou informações divulgadas nasexta-feira pelo governo espanhol de que Cuba teria decididolibertar 7 das 75 pessoas presas por razões políticas em 2003sob acusação de conspirar para os EUA. Ele descartou qualquer diálogo sob um governo de RaúlCastro, que já governa o país interinamente desde julho de2006, quando Fidel, seu irmão, se afastou do poder devido a umadoença no intestino. Segundo Gutiérrez, a repressão em Cuba aumentou desdeentão. "Esta é uma sucessão de um tirano para outro. Não nosenganemos, enquanto Fidel estiver vivo, ele continuarácomandando o show", disse o secretário. Os EUA romperam relações diplomáticas com Cuba em 1961,dois anos depois da revolução liderada por Fidel. Gutierrez apontou que a manutenção do embargo é importantepara negar ao regime os recursos para se manter. "Cuba pode ser um grande poder, uma grande potência nomundo econômico, mas hoje é um país pobre. E por quê? Porque osistema comunista não funciona e porque o regime insiste emgozar dos benefícios do poder", afirmou.

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