ENTREVISTA-Não é hora de armar os sírios, diz chefe do Pentágono

O secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, defendeu a decisão do governo Obama de não armar a oposição síria, dizendo que o país corre o risco de mergulhar em uma guerra civil plena caso fracasse a busca por uma transição política negociada.

PHIL STEWART, REUTERS

22 de junho de 2012 | 10h45

"Tomamos uma decisão de não fornecer assistência letal a esta altura. Sei que outros tomaram suas próprias decisões", disse ele à Reuters na quinta-feira.

"Mas acho muito importante agora que todos foquem em uma transição política tranquila e responsável. Se isso não for feito de forma responsável, há um perigo real de que a situação por lá se deteriore em uma terrível guerra civil."

O secretário manifestou também a preocupação de que mísseis antiaéreos portáteis, conhecidos como Manpads, roubados da Líbia durante a guerra civil do ano passado, acabem indo parar na Síria.

Por outro lado, ele disse não haver sinais de risco para o arsenal sírio de armas químicas. "Estamos confiantes de que esses lugares estejam sendo protegidos. E não vemos evidência de que nenhum deles esteja sob ameaça de ser violado."

A ONU estima que mais de 10 mil pessoas já tenham sido mortas em 15 meses de repressão do governo sírio a protestos pró-democracia. Nos últimos meses, rebeldes armados têm tido uma atuação cada vez mais incisiva, ameaçando levar o país para uma guerra civil completa, atraindo inclusive o envolvimento de potências regionais.

Governos ocidentais, governos árabes e a Turquia pressionam pela derrubada do presidente sírio, Bashar al Assad, mas relutam em intervir diretamente. Por outro lado, Rússia e China usam seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para blindar seu aliado de pressões internacionais, e o Irã também mantém seu apoio ao governo de Damasco.

Na semana passada, os EUA acusaram a Rússia de estar fornecendo novos helicópteros militares à Síria, mas Moscou afirmou que estava apenas devolvendo aparelhos sírios enviados para manutenção.

Segundo Panetta, os EUA esperam que "não só a Rússia como outros países não forneçam o tipo de armas que resultem na morte de mais sírios".

Um porta-voz do Pentágono disse posteriormente que o secretário estava se referindo à morte de civis sírios pelas forças do governo, e que ele não fez críticas a países que optaram por armar a oposição síria.

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