ENTREVISTA-Palin luta para ganhar a confiança dos americanos

A candidata republicana a vice-presidente dos EUA, Sarah Palin, admitiu na sexta-feira que muitos norte-americanos não se sentem à vontade com ela devido à sua origem política diferente, mas afirmou que isso será superado. Em entrevista por telefone à Reuters, a governadora do Alasca disse que, se for eleita na terça-feira na chapa de John McCain, vai se dedicar a questões nas quais tem experiência -- reforma do governo, políticas energéticas e, como mãe de um bebê com síndrome de Down, medidas para ajudar crianças com necessidades especiais. Desde que foi içada por McCain do relativo anonimato, Palin, de 44 anos, passou por momentos difíceis, sendo muitas vezes taxada de inexperiente. Uma pesquisa do jornal The New York Times mostrou que 59 por cento dos norte-americanos não a consideram qualificada para ser vice- presidente. Vários analistas, inclusive alguns republicanos, também fazem críticas a ela. "Provavelmente demora um pouco" para que os norte-americanos se acostumem a ela, disse Palin. "E àqueles que têm alguma hesitação, é sem dúvida porque vocês me consideram alguém tão de fora de Washington." Mas ela lembrou que outros governantes "chegaram de fora desse elitismo de Washington", como o democrata Bill Clinton e o republicano Ronald Reagan. "Então talvez demore um pouquinho para se acostumar, mas acho que, conforme mais americanos nestes próximos três dias ouvirem nosso compromisso com a reforma, vão ficar cada vez mais confortáveis", disse ela. A mídia especula que Palin se lança nesta campanha como candidata a presidente em 2012, já que McCain aparece atrás nas pesquisas. Ela nega tal intenção. "Sabe o que vou estar fazendo em 2012? Ajudando John McCain a se reeleger presidente." Ela disse que a insistência dos republicanos em dizer que o democrata Barack Obama vai aumentar impostos está ecoando junto ao eleitorado, e que a chapa McCain/Palin tem chance de virada em diversos Estados, especialmente a Pensilvânia, onde habitualmente os democratas vencem. "Sim, há uma sensação de movimento. Sinto que a nossa campanha está acertando seu passo agora, bem na hora. Mas é claro que eu gostaria que tivéssemos mais horas a cada dia", disse ela, que criticou a presunção de Obama quanto à vitória. "Já aprendi minhas próprias lições por aí. Tive um par de esforços atléticos onde eu ficava um pouco metida e pensava: 'ei, não tive de me empenhar tanto pela vitória', dava de barato que a vitória estava certa, e acabava sendo sacudida", disse ela. Palin se animou ao falar de energia, tema com o qual já tem envolvimento devido aos recursos de gás e petróleo do Alasca. Ela disse que os EUA não têm como se safar da atual crise energética, mas pode extrair mais petróleo em alto-mar para atenuar a dependência em relação ao combustível importado, enquanto aumenta a utilização de fontes alternativas, como a energia eólica, solar e geotérmica. "Precisamos de uma abordagem 'todas as anteriores', perfurando e minando, segura e responsavelmente, além de ligar fontes alternativas de energia que também estão ao nosso alcance", afirmou.

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