ENTREVISTA-'Tortura é terrorismo', diz ex-detento de Guantánamo

O jornalista Sami al-Haj, da redede TV Al Jazeera, regressou para sua casa, no Sudão, nasexta-feira, após ficar mais de seis anos preso na base militardos Estados Unidos localizada na baía de Guantánamo (Cuba). Haj, em entrevista concedida à Reuters, exigiu que ogoverno norte-americano respeite os direitos humanos e comparoua tortura ao terrorismo. O ex-detento de Guantánamo e outros homens mantidos aliforam submetidos a todos os tipos de tortura, sendo o piordeles o fato de seus carcereiros insultarem o Islã e profanaremo Alcorão na frente dos prisioneiros, afirmou Haj. "A segurança e os direitos humanos são questõesinseparáveis. Não se pode ter uma sem os outros", disse. "Os direitos humanos não servem apenas para os tempos depaz. É preciso respeitá-los sempre, mesmo durante temposdifíceis e durante épocas de guerra", acrescentou. "Minha última mensagem para o governo dos EUA é de que atortura não conseguirá acabar com o terrorismo -- a tortura éterrorismo." Haj parecia fragilizado, mas visivelmente mais forte do que12 horas antes, quando chegou acorrentado a bordo de um aviãomilitar dos EUA vindo da base norte-americana, onde ficou 16meses em greve de fome a fim de protestar contra sua detençãoilegal. Deitado em seu leito hospitalar, o jornalista mal teveforças para cumprimentar o presidente do Sudão, Omar Hassanal-Bashir, e dezenas de ministros e outras pessoas que oreceberam. Ao ver Haj, Asim, irmão dele, caiu de exaustão após terchegado ao fim os anos de campanha dele para libertar ojornalista. Em um momento particularmente emocionante, Haj encontrou-secom seu filho Mohamed, 8, pela primeira vez desde que o meninotinha 1 ano de idade. O cinegrafista foi detido perto dafronteira com o Afeganistão em 2001 e, mais tarde, levado paraa duramente criticada base militar dos EUA em Guantánamo. "A mãe dele me enviava fotos regularmente. Mas mesmo quenão tivesse visto as fotos, eu o teria reconhecido entremilhares de crianças devido ao meu forte sentimento depaternidade", disse. Haj passará os próximos dias submetendo-se a exames nohospital após ter realizado a greve de fome e após mesesdurante os quais ficou sendo alimentado a força, duas vezes pordia. Como consequência disso tudo, o jornalista encontra-sehoje fraco e com vários problemas de saúde. "Se Deus quiser, nossa felicidade e nossos festejos estarãocompletos quando nossos irmãos deixados na prisão de Guantánamoforem libertados", afirmou. Quatro prisioneiros sudanesescontinuam na base militar dos EUA.

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