Enviado de Obama deve chegar ao Oriente Médio na próxima semana

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, planeja enviar na semana que vem ao Oriente Médio seu enviado para a região, o ex-senador George Mitchell, num rápido início dos esforços do novo governo de reviver o processo de paz palestino-israelense e reforçar a frágil trégua em Gaza. Obama surpreendeu o Oriente Médio com a rapidez de sua atividade diplomática. Diplomatas ocidentais, árabes e israelenses disseram que Mitchell deve passar pelo Egito, Israel, Cisjordânia ocupada e Jordânia, mas descartaram a possibilidade de contatos diretos com o grupo islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza. A recusa de Israel de levantar totalmente seu bloqueio da Faixa de Gaza, depois de sua devastadora ofensiva militar de 22 dias, que matou mais de 1.300 palestinos, põe em dúvida o futuro do cessar-fogo e da reconstrução do pós-guerra. Uma autoridade palestina, que acompanha de perto as conversações de cessar-fogo realizadas no Egito, disse que tanto Israel como o Hamas não vão retomar os disparos enquanto a mediação egípcia prosseguir. Mas houve poucos progressos nos esforços para tornar o frágil cessar-fogo em algo mais duradouro. Diplomatas dizem que o tempo para um acordo está acabando. A eleição parlamentar de Israel, marcada para 10 de fevereiro, provavelmente levará ao poder o Partido Likud, de direita, que critica as iniciativas de paz apoiadas pelos EUA. Israel está determinado a negar qualquer avanço político para o Hamas no conflito e acredita que suas restrições nos postos de cruzamento da fronteira lhe darão poder de barganha em negociações para libertar o soldado israelense Gilad Shalit, capturado por militantes de Gaza em uma incursão em 2006. Enquanto isso, o Hamas consolidou seu controle da Faixa de Gaza e do 1,5 milhão de moradores, o que levanta dúvidas sobre as declarações de líderes israelenses, segundo os quais o grupo islâmico ficou severamente enfraquecido na ofensiva de 22 dias. Escolas e alguns edifícios ministeriais não destruídos nos bombardeios reabriram neste sábado em Gaza. O Hamas planeja começar a distribuir até 4 mil euros em dinheiro para famílias duramente atingidas na ofensiva de Israel. Autoridades israelenses afirmam estar confiantes em que Obama e seu enviado à região vão marginalizar o Hamas. Essa era a política do ex-presidente norte-americano George W. Bush, que críticos acusavam de ter ignorado por muito tempo o conflito. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Robert Wood, não fez comentários sobre os planos de viagem de Mitchell. (Reportagem adicional de Ari Rabinovitch em Jerusalém, e Douglas Hamilton e Nidal al-Mughrabi em Gaza)

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