Equipe de Obama tem contato com Irã desde antes da eleição

Escolhido para coordenar não-proliferação nuclear relata pelo menos quatro encontros com iranianos na Europa

Agências internacionais,

05 de fevereiro de 2009 | 09h37

Gary Samore, escolhido pelo presidente Barack Obama para coordenar os esforços de não-proliferação nuclear e armas de destruição em massa, revelou que se reuniu com autoridades iranianas antes mesmo da eleição presidencial americana, segundo afirma o site da revista americana Foreign Policy. Representantes americanos e do regime iraniano teriam se encontrado na Europa em pelo menos quatro ocasiões, e entre os participantes da reunião estariam o ex-secretário da Defesa William J. Perry e o embaixador iraniano na agência nuclear da ONU, Ali Asghar Soltanieh.   Segundo o jornal The New York Times, Samore foi especialista em proliferação nuclear e controle de armas no Oriente Médio e na Ásia durante o governo Bill Clinton. Ele trabalhou nas negociações com a Coreia do Norte e ajudou a persuadir o governo chinês a não apoiar as atividades nucleares do Irã. Segundo a Foreign Policy, Samore afirmou que as reuniões aconteceram em Haia, na Holanda, e em Viena, na Áustria, durante as Conferências Pugwash sobre Ciência e Negócios Mundiais.   As pessoas envolvidas asseguram que o encontro não foi uma conversa de governo para governo, e segundo os organizadores de Pugwash, não tiveram iniciativa das administrações Bush ou Obama, nem do governo iraniano ainda que tenha envolvido o representante de Teerã na Agência Internacional para a Energia Atômica (AIEA) e um dos altos assessores do presidente Mahmoud Ahmadinejad, Mojtaba Samareh-Hashemi.   "Todas das informações de que 'Obama dialogou secretamente com o Irã' são erradas", afirmou ao site Paolo Cotta-Ramusino, secretário-geral do Pugwash. "Estas não foram negociações oficiais. Primeiramente porque nossos encontros foram em 20087", quando a administração Bush ainda estava em vigor.   A administração Obama passou o primeiro mês de governo demonstrando sinais de que as portas para o diálogo com o Irã estão abertas depois de mais de três décadas da Revolução Islâmica. Porém, oficiais americanos afirmaram que os meios para a aproximação ainda estão sendo discutidos. No dia seguinte após o jornal britânico divulgar a informação sobre a carta direcionada ao povo iraniano com a proposta de conversas bilaterais, a Casa Branca afirmou que todas as opções estão na mesa com Teerã, questionado sobre o possível uso de força militar. Segundo os EUA, um dos problemas para o governo Obama é tentar estabelecer com quem conversar no Irã, referindo-se aos múltiplos centros de poder do regime.   As suspeitas norte-americanas de que o Irã desenvolve armas atômicas - o que Teerã nega - e a presença de milhares de soldados norte-americanos em dois países fronteiriços ao Irã (Iraque e Afeganistão) são os principais empecilhos à retomada das relações nos últimos anos.

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