Escândalo sexual com republicano fortalece Obama

Quanto mais os pré-candidatos republicanos duelam em torno das acusações de assédio sexual contra Herman Cain, melhor fica a situação para o presidente democrata Barack Obama, que prepara sua campanha à reeleição nos EUA.

PATRICIA ZENGERLE, REUTERS

04 de novembro de 2011 | 08h54

Cain foi acusado por pelo menos três mulheres de cometer assédio sexual na época em que dirigia a Associação Nacional de Restaurantes, em meados da década de 1990. O assunto tem dominado a disputa interna no Partido Republicano, geralmente notável por sua unidade, e beneficia Obama num momento em que ele mostra força nas pesquisas eleitorais, e a economia norte-americana dá sinais de melhoria.

"Obviamente, a Equipe Obama quer que o campo republicano (de candidatos) seja o maior possível pelo tempo que for possível", disse o estrategista republicano Ford O'Connell. "Quanto mais tempo eles passarem brigando, mais munição a Equipe Obama terá para a eleição geral."

Cain se diz inocente das acusações e acusa seu rival Rick Perry de estar por trás da história, algo que Perry nega. Pelo menos até o surgimento das denúncias, o empresário conservador, de 65 anos, despontava como o favorito para receber a indicação republicana, num processo que começa em janeiro, em Iowa. Sua imagem se desgastou ainda mais porque ele apresentou versões conflitantes sobre se as mulheres receberam dinheiro para retirar as queixas, e gritou com jornalistas que pediam explicações.

Enquanto isso, o eleitorado dá sinais de reagir positivamente às propostas de Obama para a criação de empregos. Uma pesquisa divulgada nesta semana pela Universidade Quinnipiac mostrou que 47 por cento dos norte-americanos aprovam a atuação de Obama na presidência, alta de 6 pontos percentuais sobre o começo de outubro.

Também há sinais de recuperação econômica, tema que deve dominar a campanha para a eleição de novembro. Na quarta-feira, novos dados mostraram que a iniciativa privada criou mais empregos do que se previa no mês passado, o que indica que o dado geral do desemprego de outubro, a ser divulgado na sexta-feira, seja melhor do que os 9,1 por cento de setembro.

Tudo isso é bom para os democratas, que astutamente se mantêm afastados da polêmica republicana, e continuam voltando suas baterias contra Mitt Romney, destronado por Cain do posto de favorito da oposição.

"Isso está turvando a mensagem republicana no momento, então deve ser uma boa notícia para os democratas, e eles estão de forma bastante inteligente ficando muito calados a respeito", disse David Yepsen, diretor do Instituto Paul Simon de Políticas Públicas, da Universidade do Sul de Illinois.

"Acho que foi Napoleão quem disse para nunca interferir com um inimigo que esteja no ato de destruir a si próprio."

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