Escolhido de Bush para Justiça tem histórico apartidário

Após escândalos, sucessor de Gonzáles como Secretário de Justiça deverá impor uma linha mais isenta

17 de setembro de 2007 | 21h08

O homem apontado nesta segunda-feira, 17, pelo presidente George W. Bush para substituir o polêmico secretário de Justiça dos Estados Unidos, Alberto Gonzales, dificilmente enfrentará as mesmas acusações de seu futuro predecessor. Bush indica juiz conservador para Secretaria de Justiça  Caso seja aprovado pelo Senado americano, Michael B. Mukasey, de 66 anos, deverá "impor" ao Departamento de Justiça uma linha muito mais isenta do que a de Gonzales, que nos últimos meses viu sua permanência no cargo minada pela acusação de ter articulado com a Casa Branca a demissão de oito procuradores federais. As audiências para a aprovação da nomeação começam na próxima terça-feira, 18.   Tudo isso porque, embora abertamente um conservador, Mukasey não vem do circulo de políticos próximos a Bush, e é elogiado inclusive por liberais por sua fidelidade aos princípios constitucionais.   Em seu discurso após ser nomeado, Mukasey procurou se distinguir de Gonzales. Segundo ele, o Departamento de Justiça "enfrenta desafios amplamente diferentes daqueles que encarei quando era um procurador assistente, há 35 anos". No entanto, continuou, os "princípios que guiam o departamento continuam os mesmos: perseguir a justiça pela aplicação da Lei com inabalável fidelidade à Constituição".   Conservador   Ainda assim, Mukasey é amplamente visto como alguém sintonizado com as prioridades da administração Bush. Considerado uma autoridade nacional em assuntos de segurança, o ex-juiz foi escolhido por Bush devido seu "exemplar conhecimento na aplicação da Lei e em assuntos (relacionados) à Lei de Segurança Nacional", informou a Casa Branca em um comunicado à imprensa.   Segundo uma reportagem do Washington Post, a Casa Branca passou o fim de semana trabalhando para assegurar aos aliados de Bush que Mukasey compartilha dos pontos de vista do presidente em assuntos relativos ao poder do Executivo e a necessidade de ação eficaz contra o terrorismo.   Além da polêmica relativa à demissão dos procuradores, Gonzales foi amplamente criticado por ter dado respaldo legal a idéia de "guerra ao terror", abrindo brechas para a aplicação de uma legislação antiterrorismo considerada abusiva por organizações de defesa dos direitos humanos.   Histórico   Juiz federal em Nova York por 19 anos, Mukasey cuidou de vários julgamentos de grande repercussão, entre os quais importantes casos envolvendo terrorismo. Em 1993, por exemplo, ainda como promotor, ele foi responsável por conseguir uma pena de prisão perpétua contra Omar Abdel Rahman, o chamado "Xeque Cego", responsabilizado por tentar explodir a estação de metrô do Word Trade Center.   Já como juiz, em 2003, ele presidiu o julgamento do cidadão americano acusado de terrorismo José Padilla, classificado como "combatente inimigo" pela Casa Branca. Mukasey determinou que a termologia usada pela administração Bush estava correta, mas garantiu que Padilla tivesse acesso a advogados civis.

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