Especialistas testam se anticorpos de sobreviventes do Ebola podem ajudar pacientes

Especialistas testam se anticorpos de sobreviventes do Ebola podem ajudar pacientes

Testes devem começar no próximo mês e, se tiverem sucesso, soro poderá ser usado como intervenção de curto prazo até o desenvolvimento das vacinas for concluído

REUTERS

23 de outubro de 2014 | 17h25

Cientistas vão começar a testar se o tratamento com anticorpos do sangue de sobreviventes do Ebola pode ajudar pacientes infectados a combater a doença mortal em um teste clínico que deve começar na Guiné no mês que vem.

Se o teste tiver um bom desempenho, o chamado soro convalescente pode ter o seu uso ampliado rapidamente como uma intervenção de curto prazo, enquanto o trabalho continua no desenvolvimento de drogas e vacinas.

Um consórcio internacional de pesquisa liderado pelo Instituto de Medicina Tropical em Antuérpia, na Bélgica, está realizando o trabalho no país da África Ocidental que marcou o início do pior surto de Ebola em março deste ano, depois de receber uma doação de 2,9 milhões de euros da União Europeia.

"O tratamento com sangue e plasma é uma intervenção médica com um longo histórico, usado de maneira segura em outras doenças infecciosas", disse o coordenador do projeto, Johan van Griensven, em um comunicado oficial nesta quinta-feira.

"Queremos saber se essa abordagem funciona para o Ebola, se é segura e se pode ser colocada em ação para reduzir o número de mortes no surto atual."

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu, no último mês, que fossem desenvolvidos projetos com o uso de produtos derivados do sangue de sobreviventes.

O sangue e o plasma recuperados de pacientes com Ebola já foi usado ocasionalmente no passado, incluindo durante o surto de Ebola em 1995 em Kikwit, na República Democrática do Congo, quando sete de oito pacientes doentes que receberam o soro feito com o sangue sobreviveram.

Contudo, como o número de pacientes que receberam o tratamento com o soro é muito pequeno até hoje, ainda não está claro qual é a eficiência do tratamento.

(Reportagem de Ben Hirschler)

Tudo o que sabemos sobre:
EUAEBOLAESPECIALISTAS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.